Laudo do IPT confirma informações do Crea-SP

30 de dezembro de 2009

“Houve uma falha na colocação das vigas. Eram cinco e só quatro foram colocadas e, ainda assim, não foram travadas. Era melhor esperar chegar a quinta viga e colocar todas de uma só vez”. Esse foi o alerta do engenheiro José Tadeu da Silva, presidente do Crea-SP, em 16 de novembro deste ano, três dias após o desabamento de três vigas do Rodoanel Mário Covas.

Um mês e meio depois, laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, divulgado nesta segunda-feira (28/12) pela Secretaria dos Transportes do Estado de São Paulo, confirmou a informação de Tadeu da Silva. De acordo com o documento, falta de travamento adequado das estruturas foi a causa principal do acidente de 13 de novembro, que deixou três pessoas feridas. Na ocasião, três vigas desabaram sobre três veículos que passavam pela Rodovia Régis Bittencourt, em Embu, na Grande São Paulo.

Ainda segundo o IPT, o acidente foi causado pelo “surgimento de uma força horizontal não contida pelo travamento adotado, tendo, como conseqüência, o deslizamento e tombamento das vigas, causando sua ruptura”. Outros fatores apontados pelo órgão foram a “falta de horizontalidade das superfícies das bases de apoio” e a “insuficiência de atrito na interface das vigas com as bases de apoio”.

Segundo a nota publicada pela Secretaria de Transportes, “será feita a apuração das responsabilidades contratuais e funcionais pela prática do acidente, além da responsabilidade penal que é objeto de inquérito policial”.

Sistema Confea/Crea
Após o acidente, ainda em novembro, o plenário do Confea aprovou manifestação acerca da situação. Além de afirmar solidariedade às famílias das vítimas e apoio aos trabalhadores e técnicos envolvidos no trabalho de contenção da estrutura comprometida, o documento reitera a responsabilidade social do Sistema Confea/Crea em qualquer acidente do país. É papel do Confea, de acordo com o texto, primar pela apuração das causas, dos responsáveis e punição dos culpados.

“No entanto, não nos cabe prematuramente apontar os responsáveis pelo trágico acidente, mas sim, por meio do Crea-SP, contribuir para o bom andamento dos trabalhos de investigação, análise e perícia”, completa o manifesto. De acordo com o texto, técnicos do Regional paulista acompanham o desenrolar dos acontecimentos, colhem informações e registram os fatos para auxiliar o processo administrativo de “Apuração de Responsabilidade”.

Em consonância com o manifesto aprovado pelo Conselho Federal, o presidente do Crea-SP nomeou um Grupo de Trabalho que estuda o acidente ocorrido no Rodoanel e, a partir de agora, vai analisar o Laudo do IPT e aguardar outro lado, o do Instituto de Criminalística.

Leia o manifesto do Confea na íntegra.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
Com informações do Crea-SP