A necessidade do trabalho conjunto entre sistemas profissional e educacional

Brasília, 22 de fevereiro de 2010.

O lançamento de duas importantes obras, não só para os profissionais da área tecnológica mas para toda a sociedade, foi feito hoje (22) durante o Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea. O conselheiro federal Pedro Lopes fez a apresentação do Compêndio “Trajetória e Estado da Arte da Formação em Engenharia, Arquitetura e Agronomia” e o presidente da Associação Nacional dos Tecnólogos, Jorge Guaracy Ribeiro, lançou a Cartilha dos Tecnólogos.

Pedro Lopes explica que o Compêndio foi fruto de uma parceria entre o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Ele conta que 59 professores, pesquisadores e especialistas participaram da elaboração do trabalho, que traz a história, a organização, a estrutura e as perspectivas para a Engenharia, Arquitetura e Agronomia, além das outras profissões da área tecnológica. “Esse trabalho vem suprir uma lacuna e atender a um grande número de setores na nossa sociedade. Os dados e análises nele contidos devem subsidiar todo o setor produtivo e, devido à tendência de ampliação do setor tecnológico, torna-se fundamental para a formulação de políticas públicas no país”.

Jorge Guaracy, por sua vez, afirmou que a Cartilha dos Tecnólogos visa discutir o processo de inclusão e valorização da profissão. “Grande parte do que ocorre hoje decorre da falta de esclarecimento do que é e para que veio o tecnólogo. Ele não é um supertécnico ou um subengenheiro”, afirmou. Segundo ele, no mundo, para cada engenheiro, existem quatro ou cinco tecnólogos. “Temos de buscar o entendimento para que todos possam exercer seu trabalho com dignidade e respeito e aprender a trabalhar juntos para engrandecer a Engenharia nacional e contribuir para o desenvolvimento do país”, disse.

Em seguida, a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Clelia Brandão Alvarenga Craveiro, ressaltou a importância da soma de esforços entre o sistema educacional e o profissional. “É preciso que nesse século XXI passemos por um regime de colaboração cada vez maior”. E, fazendo referência ao texto da Cartilha, lembrou da competência profissional para resolução de problemas e para a realização de uma ação transformadora.

O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), Gilberto Selber, por sua vez, comprometeu-se em fazer uma grande divulgação das duas obras nas universidades brasileiras. “Hoje vivemos um momento muito especial de revisão ampla do ensino da Engenharia, a partir de novas tecnologias, e precisamos de um trabalho conjunto para o revigoramento do ensino da Engenharia”.

Alan Barbiero, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), destacou o esforço das universidades federais para ampliar e discutir a estrutura dos cursos tecnológicos. Nesse sentido, lembrou do programa do Governo Federal REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que está duplicando a oferta de vagas nos cursos de Engenharia, mas requer uma articulação e integração de vários movimentos.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Joaquim José dos Santos Neto, enfatizou a importância das profissões da área tecnológica para o país. “O grande desafio da formação dos novos jovens hoje é o crescimento do país vinculado às mudanças climáticas que estamos vivendo”, afirmou.

Para o secretário nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Mota, além da sistematização dos cursos há que se perceber a importância de conectar a educação com a questão da demanda empresarial. “São elementos desafiadores, mas a possibilidade de o país ter um desenvolvimento sustentável está ligada aos recursos humanos compatíveis com o crescimento sustentável. E, para isso, são necessárias empresas inovadoras, com profissionais inovadores o que está diretamente associado à educação”, afirmou.

Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SESu/MEC), sublinhou a atual carência de profissionais. Segundo ele, apesar de a mídia destacar a carência de profissionais da Engenharia, esta informação, muitas vezes, é mal compreendida e carece de ampliação. “O que o país precisa é de profissionais da área tecnológica, em todas elas. Precisamos de mais e melhores engenheiros, tecnólogos e técnicos”, afirmou.

Por último, para encerrar os discursos durante o lançamento do Compêndio e da Cartilha, o senador e engenheiro José Agripino Maia (DEM/RN), enfatizou: “um país que é responsável pela execução de grandes barragens, de extensas rodovias, pela guarda do pré-sal, tem de melhorar a qualidade do gasto público”. Perguntando quantas obras estão paradas por denúncias, disse: “o trabalho de fiscalização, denúncia e vigilância deve ser feito também por nós engenheiros, que conhecemos os números”. Assim, convocou  todos esses profissionais para auxiliarem na melhoria do padrão ético do país.

Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea