Brasília, 23 de fevereiro de 2010.
A discussão sobre o meio ambiente, as mudanças climáticas e a Conferência de Copenhague (COP-15) realizadas na manhã de hoje (23), durante o Encontro de Lideranças, após a palestra do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, continuou com a presença do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, e o presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Frederico Bussinger.
De acordo com Washington Novaes, estamos vivendo um momento crítico em matéria de clima. Para ele, a Conferência de Copenhague terminou apenas com uma declaração de intenções, mesmo assim os 93 países que comunicaram suas intenções de redução de emissões, não o fizeram em número suficiente para impedir que a temperatura da Terra subisse além de 2º Celsius. Lembrando da declaração da Agência Internacional de Energia de que se não houver um acordo, as emissões aumentarão 40% até 2030 e da renúncia do secretário-executivo da COP-15, Yvo de Boer, Novaes propôs a seguinte reflexão: “Se nem o secretário da Convenção acredita em um acordo, o que devemos esperar”?
Novaes questionou ainda a possível metodologia para taxação do carbono. “Onde deve ser taxado? No país que fabrica ou no país que consome? Ou ainda nos países pelos quais o transporte aéreo passa?" Para ele, o Brasil deve retomar a proposta feita no Protocolo de Kyoto, quando sugeriu que a responsabilidade pela emissão tivesse como base o processo histórico além das emissões atuais. Mas, para isso, é preciso uma mudança de comportamento. “A sociedade brasileira tem uma postura que chamo de retórica da indignação, mas não sai de sua posição passiva. É preciso se organizar, discutir para poder avançar nessas questões. Se não fizermos essas mudanças, dificilmente conseguiremos chegar a resultados”.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, falou sobre a “grave questão da expansão da fronteira agrícola”. Para ele, o Brasil vive hoje uma contradição: por um lado mantém ociosos 90 milhões de hectares de terra já desmatados e, por outro, continua expandindo a fronteira agrícola. “O Brasil tem condições de preservar sua biodiversidade e, ao mesmo tempo, ser o maior player na produção de alimentos, mas, para isso, precisa resolver esse problema central do uso da terra”, afirma Carvalho. Para ele, o fato de a questão territorial não ter sido ainda incorporada ao planejamento estratégico constitui um defeito clássico nas políticas públicas brasileiras. “Isso nos remete às pressões que temos na área da agricultura”, ressalta.
Carvalho criticou ainda a forma como é concedido o crédito rural. “O crédito é concedido hoje da mesma forma como era feito na década de 70, levando em consideração apenas o produto. Precisamos estabelecer as bases territoriais de gestão e conceder os financiamentos como uma unidade de produção sustentável e não produto a produto”, critica. Em sua palestra, o secretário também abordou outros temas, como a necessidade de definir a matriz energética brasileira num horizonte de longo prazo e não de forma restrita ao “licenciamento do dia”; de modificar a matriz de transporte; de solucionar a questão dos resíduos sólidos e da mobilidade urbana. “É preciso mudar e não estamos tendo o sentimento de urgência necessário para fazer essa mudança”, afirmou o Secretário.
O engenheiro Frederico Bussinger, presidente da Companhia Docas de São Sebastião, falou especificamente sobre a matriz de transporte e a importância desse fator para a questão da emissão de gases poluentes. Segundo ele, os setor de transportes corresponde a 23% das emissões no mundo. “No Brasil, devido a nossa matriz estar baseada no transporte rodoviário, esse número corresponde a 42%”, ressaltou Bussinger. “Nós, engenheiros, arquitetos e agrônomos precisamos reconsiderar nossa metodologia de análise. Se sabemos que a hidrovia é tão virtuosa, por que ela não avança?”, questiona Bussinger. “Sem mudanças nos padrões de planejamento e gerenciamento não avançaremos”.
Mariana Silva e Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação
A discussão sobre o meio ambiente, as mudanças climáticas e a Conferência de Copenhague (COP-15) realizadas na manhã de hoje (23), durante o Encontro de Lideranças, após a palestra do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, continuou com a presença do secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, e o presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Frederico Bussinger.
De acordo com Washington Novaes, estamos vivendo um momento crítico em matéria de clima. Para ele, a Conferência de Copenhague terminou apenas com uma declaração de intenções, mesmo assim os 93 países que comunicaram suas intenções de redução de emissões, não o fizeram em número suficiente para impedir que a temperatura da Terra subisse além de 2º Celsius. Lembrando da declaração da Agência Internacional de Energia de que se não houver um acordo, as emissões aumentarão 40% até 2030 e da renúncia do secretário-executivo da COP-15, Yvo de Boer, Novaes propôs a seguinte reflexão: “Se nem o secretário da Convenção acredita em um acordo, o que devemos esperar”?
Novaes questionou ainda a possível metodologia para taxação do carbono. “Onde deve ser taxado? No país que fabrica ou no país que consome? Ou ainda nos países pelos quais o transporte aéreo passa?" Para ele, o Brasil deve retomar a proposta feita no Protocolo de Kyoto, quando sugeriu que a responsabilidade pela emissão tivesse como base o processo histórico além das emissões atuais. Mas, para isso, é preciso uma mudança de comportamento. “A sociedade brasileira tem uma postura que chamo de retórica da indignação, mas não sai de sua posição passiva. É preciso se organizar, discutir para poder avançar nessas questões. Se não fizermos essas mudanças, dificilmente conseguiremos chegar a resultados”.
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, José Carlos Carvalho, falou sobre a “grave questão da expansão da fronteira agrícola”. Para ele, o Brasil vive hoje uma contradição: por um lado mantém ociosos 90 milhões de hectares de terra já desmatados e, por outro, continua expandindo a fronteira agrícola. “O Brasil tem condições de preservar sua biodiversidade e, ao mesmo tempo, ser o maior player na produção de alimentos, mas, para isso, precisa resolver esse problema central do uso da terra”, afirma Carvalho. Para ele, o fato de a questão territorial não ter sido ainda incorporada ao planejamento estratégico constitui um defeito clássico nas políticas públicas brasileiras. “Isso nos remete às pressões que temos na área da agricultura”, ressalta.
Carvalho criticou ainda a forma como é concedido o crédito rural. “O crédito é concedido hoje da mesma forma como era feito na década de 70, levando em consideração apenas o produto. Precisamos estabelecer as bases territoriais de gestão e conceder os financiamentos como uma unidade de produção sustentável e não produto a produto”, critica. Em sua palestra, o secretário também abordou outros temas, como a necessidade de definir a matriz energética brasileira num horizonte de longo prazo e não de forma restrita ao “licenciamento do dia”; de modificar a matriz de transporte; de solucionar a questão dos resíduos sólidos e da mobilidade urbana. “É preciso mudar e não estamos tendo o sentimento de urgência necessário para fazer essa mudança”, afirmou o Secretário.
O engenheiro Frederico Bussinger, presidente da Companhia Docas de São Sebastião, falou especificamente sobre a matriz de transporte e a importância desse fator para a questão da emissão de gases poluentes. Segundo ele, os setor de transportes corresponde a 23% das emissões no mundo. “No Brasil, devido a nossa matriz estar baseada no transporte rodoviário, esse número corresponde a 42%”, ressaltou Bussinger. “Nós, engenheiros, arquitetos e agrônomos precisamos reconsiderar nossa metodologia de análise. Se sabemos que a hidrovia é tão virtuosa, por que ela não avança?”, questiona Bussinger. “Sem mudanças nos padrões de planejamento e gerenciamento não avançaremos”.
Mariana Silva e Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação
