Brasília, 23 de fevereiro de 2010
A construção civil é um dos setores que possuem alto índice de corrupção. A discussão sobre o tema é recorrente no Brasil e fica ainda mais presente no Sistema Confea/Crea a partir do lançamento do “Movimento Ética e Anticorrupção no Setor Tecnológico”, que aconteceu ontem durante o 5º Encontro de Lideranças do Sistema. Mundialmente, o assunto será discutido uma semana após o lançamento do movimento. A 2ª Conferencia Internacional Sobre Ética y Valores Humanos en Ingeniería acontecerá de 2 a 4 de março em Barcelona, na Espanha, com participação do Confea.
“Essa discussão mundial é essencial para que a sociedade avance significativamente no sentido de exigir ética e ação efetiva no combate à corrupção na área da engenharia”, afirma o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo. Ele acredita que o Confea terá uma participação muito ativa na conferência. “Mostraremos que temos um Código de Ética claramente estabelecido no Brasil”, disse. Segundo o presidente do Conselho, o documento é, inclusive, uma obrigatoriedade legal, já que o Confea, por lei, é um instrumento de fiscalização da ética profissional. Além disso, Túlio de Melo diz que apresentará aos participantes da conferência o “Movimento Ética e Anticorrupção no Setor Tecnológico”, recém-lançado pelo Confea no Brasil.
O conselheiro federal Etelvino Freitas, que também participará da conferência em Barcelona, destaca a importância do manifesto do Movimento Anticorrupção na Engenharia. “Durante a conferência, apresentaremos o manifesto, o debate concreto e a manifestação dos profissionais durante o Encontro de Lideranças”, disse. Segundo o manifesto e o conselheiro, “os profissionais e empresas da área tecnológica brasileira têm muito a contribuir no combate à corrupção”. Para Etelvino, o intercâmbio entre diversos países deverá facilitar a reflexão sobre os valores humanos na engenharia. “Estaremos em contato com engenheiros, professores universitários, pesquisadores, empresários e outras pessoas ligadas ao mundo da engenharia e refletiremos a Engenharia sob vários conceitos, com visões complementares”, completa o conselheiro federal.
Os organizadores do evento esperam cerca de 300 pessoas em Barcelona para debater sobre ética na área da engenharia. A 2ª Conferência Internacional sobre Ética e Valores Humanos na Engenharia tratará do papel social da engenharia e seu impacto social. Entre outros assuntos, se destacam temas como a vertente humana de sustentabilidade e da tecnologia; a influência das Tecnologias da Informação e Comunicação nas relações sociais e o desenvolvimento da atividade profissional; a engenharia e a “cultura do não”; ética e deontologia profissional; e a engenharia a serviço da luta contra a corrupção.
De acordo com o site do encontro, a presidente da Federação Mundial das Organizações de Engenharia (WFEO, na sigla em inglês), María Jesús Prieto Laffargue, acredita que a conferência mostrará nitidamente que a prática responsável da engenharia contribui para o progresso social e econômico dos países. “Também servirá para romper o clichê de que a engenharia vive de contratempos da sociedade e seus valores éticos e humanos”, defende Laffargue. “Nós engenheiros queremos ser mais visíveis, mais relevantes, ter um papel social mais importante”, afirma.
Segundo a “Transparência Internacional” (TI) – instituição responsável pela divulgação do Índice de Percepção da Corrupção e do Índice de Pagadores de Suborno –, cerca de U$ 5 trilhões são perdidos no mundo por causa da corrupção na área da engenharia, o que corresponde a 10% dos projetos de infraestrutura. As perdas ou danos em um projeto podem resultar de uma ampla variedade de atividades de corrupção, como apropriação indevida de recursos, suborno, extorsão, fraude, cartéis, peculato e abuso de poder.
“O aperfeiçoamento do aparato legal, bem como a implementação de programas sistemáticos para prevenir e detectar corrupção, tanto internamente como nas negociações com terceiros, são urgentes” defende o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo. Para ele, uma das medidas poderia ser a exigência de projetos anticorrupção como condicionante para o financiamento de empreendimentos. “Também devem ser adotadas medidas anticorrupção específicas, como diligências apropriadas, transparência e ouvidorias”, sugere.
O “Movimento Ética e Anticorrupção no Setor Tecnológico” foi lançado nesta segunda-feira (22/2), durante o Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea. “Observamos a necessidade de planejar e implantar um movimento específico que buscasse maior transparência nos processos que envolvem as áreas da Engenharia, Arquitetura e Agronomia”, explica Túlio de Melo.
Participarão da delegação do Sistema Confea/Crea na conferência em Barcelona o presidente Marcos Túlio de Melo, o presidente da Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), Nivaldo Bósio (representante do Colégio de Entidades Nacionais), o presidente do Crea-SE, Jorge Silveira (representante do Colégio de Presidentes) e o conselheiro federal Etelvino Freitas.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
