Acredito que a forma de combater a corrupção é aumentar a transparência

Brasília, 24 de fevereiro de 2010.

Na programação do segundo dia do 5º Encontro de Lideranças, que acontece até sexta-feira (26), em Brasília, Orlando Silva, ministro do Esporte, participou no painel “A execução de obras públicas e a Copa de 2014: como conciliar agilidade, qualidade e controle”.  Em entrevista ao Confea o ministro falou sobre obras, cronogramas, desburocratização dos processos e a possibilidade de diminuição das cidades-sede.

ConfeaQual a importância de discutir essas obras para a Copa de 2014?

Orlando Silva – É muito oportuna a possibilidade de poder discutir os investimentos para a Copa do Mundo de 2014, assim como para os Jogos Olímpicos de 2016. É uma discussão com os profissionais que serão envolvidos, principalmente os engenheiros, que terão um papel muito importante. Acredito que o desafio do Brasil para bem utilizar os recursos públicos é fazer um planejamento adequado, no caso das obras. Fazer um detalhamento e especificações adequados, de modo que os orçamentos não sejam revistos sistematicamente. Acredito que é importante selecionar bem cada projeto. O que será investido em mobilidade urbana, em aeroportos, nos portos, nos estádios, de modo que os investimentos fiquem, inclusive, como um legado para as cidades após os eventos.

Confea O senhor não achar que desburocratizar os processos de contratação pode ajudar na corrupção das obras?

Orlando Silva – Acredito que esse processo de preparação para a Copa de 2014 deve ter a máxima transparência, tanto é assim que o presidente Lula fez publicar um decreto determinando que cada centavo utilizado na Copa de 2014 pelo governo federal deva ter publicidade absoluta. Assim os órgãos de controle e a sociedade poderão acompanhar. Isso vale para o governo federal e para os outros governos, porque foi tema de um acordo assinado entre os três níveis de governo. Acredito que a forma de combater a corrupção é aumentar a transparência. E creio, que do ponto de vista da gestão, para poder evitar revisão sucessiva de orçamento – que não necessariamente é corrupção, mas é um gasto maior que o previsto – se deva fazer um trabalho de especificação do que vai ser contratado, do que vai ser feito. Um trabalho consistente. Por isso falo em planejamento. Se ele é bem feito, o gasto será aquilo que for projetado. Se for mal feito, esse gasto será acima do projetado. Isso gera desgaste perante a opinião pública.

ConfeaO país já precisava ter bons projetos, mas por causa do desmonte de estruturas das empresas públicas e privadas em função dos baixos investimentos em infraestrutura nos últimos anos, não tem. Então como o governo pretende vencer essa dificuldade e atingir as metas até a Copa?

Orlando Silva – O Brasil está reaprendendo a projetar. Está reaprendendo a planejar. Esse talvez seja um dos grandes saldos que o PAC oferece ao país. Desde o segundo Plano de Aceleração do Crescimento, na época dos militares, nos anos 70, que não se planejava a médio e longo prazos, e creio que o PAC tem essa virtude. E temos que aproveitar essa experiência. As cidades e os estados já estão hoje mais preparados para realizar planejamento adequado e espero que isso repercuta positivamente para a Copa de 2014.

Confea E o número de cidades-sede será mesmo reduzido?

Orlando Silva – Lutamos para termos 12 cidades. Lutamos para que todas as regiões do Brasil estivessem participando da Copa de 2014. Os compromissos de cada cidade com os investimentos para a Copa, com a organização, com os preparativos, têm que ser cumpridos. A Copa pode ser feita com um número menor de cidades, mas espero que as cidades possam estar atentas ao que firmaram de compromissos junto à Fifa, ao governo federal, e que cumpram suas obrigações. Ficaríamos muito tristes se uma ou outra cidade deixasse de fazer parte desse projeto. Agora, a participação não é compulsória, para que elas participem têm que estar qualificadas para tal.

Confea O prazo para a realização das obras já não é curto. Isso não vai atrapalhar a qualidade dessas obras?

Orlando Silva – O prazo é o adequado. O que precisa ser feito é apertar o passo. Acelerar mais. Na semana passada fiz um alerta, que no caso dos estádios, o sinal amarelo já está aceso. É preciso acelerar. Ainda há tempo de fazer obras com a qualidade necessária, mas não temos mais margem de manobra. É preciso mais agilidade nos preparativos do mundial.

Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea