Comunidade tecnológica discute desenvolvimento com solidariedade

Recife, 24 de março de 2010.
 

Com a perspectiva de plantar uma semente para a construção de um mundo mais justo e igualitário, iniciou na noite desta terça-feira (23), no Recife, o I Seminário Panamericano Pensar as Américas 2010 – Integração, Solidariedade e Desenvolvimento. O combate a injustiças sociais e à pobreza, além da promoção do desenvolvimento com solidariedade e responsabilidade socioambiental, são alguns dos efeitos desejados pelas lideranças engajadas nesse movimento. Na abertura, autoridades e profissionais da área tecnológica dos países latinos e da Espanha mostraram disposição de iniciar a discussão de políticas que contribuam para a unificação das Américas.
 
A integração das Américas é utopia ou realidade factível? Para o presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti, anfitrião do evento, há a necessidade urgente de muitas respostas aos tantos questionamento existentes sobre a possibilidade da união dos países integrantes do Continente Americano. Ele lembrou que desde o Século XVIII se fala dessa união, mas que pouca coisa concreta foi feita. Numa retrospectiva histórica, política e econômica lançou perguntas para reflexão: por que é tão difícil estreitar as nossas relações? Será que os esforços não contribuíram para essa integração? Qual a melhor proposta?
 
A busca para essas respostas, na opinião de José Mário, “exige convergência de esforços em função dos desafios complexos que norteiam essa integração. O tempo tem mostrado a sequência de fracassos. Há a necessidade de mais atores nesse processo, pois essa discussão não pode ser governamental e diplomática, nem atender tão somente a interesses econômicos. Deve extrapolar esses ambientes para a formação de um ambiente de união. O que está em jogo é a desigualdade dos povos”, advertiu. Para ele o processo de integração não pode ser um ato de boa vontade entre países vizinhos.
 
Para o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, esse movimento está calcado na integração com a perspectiva de aliar o desenvolvimento econômico ao social e ambiental. “Precisamos construir um novo processo mundial. Um projeto, muitas vezes, construído com o sonho do desenvolvimento da economia para o homem, com ações práticas de solidariedade comprometidas com um modelo de desenvolvimento sem que tenhamos a imposição de uns países sobre os outros”.
 
As desigualdades brutais existentes entre as Américas, na opinião do presidente do Confea, poderão ser combatidas com essa nova concepção de desenvolvimento solidário. “A participação das organizações profissionais é fundamental. Precisamos buscar o livre trânsito profissional nas Américas, assim como foi feito na União Européia. Que a partir daqui construamos um desenvolvimento com novas bases”, propôs Túlio de Melo.
 
Numa visão pragmática, o embaixador do Haiti no Brasil, Idalbert Pierre-Jean, expôs sua preocupação diante do desafio da construção dessa união. Para ele o Continente Americano é dividido em muitas partes e essa divisão, originária da colonização dos países, com a formação de povos com culturas diferentes, coloca obstáculos ao sonho de unidade. “Temos que seguir trabalhando para isso, embora seja muito complicado. O Haiti é um dos países com o maior interesse na busca da solidariedade e da integração”, afirmou.
 
“Hoje é um dia que vamos nos permitir sonhar”. Assim Enzo Betancourt, presidente do Colégio de Engenheiros da Venezuela (CIV) começou a falar com entusiasmo sobre o sonho de passar por cima do colonialismo. “Esse é um momento histórico do início de um projeto que tem como ideia principal erradicar a pobreza no nosso Continente”, salientou. Betancourt se comprometeu a realizar no próximo ano o segundo seminário em Caracas, na Venezuela. Ele ainda propôs que o terceiro seja realizado na Costa Rica em 2012.
 
Irene Campos, presidente da União Panamericana de Associações de Engenheiros (UPADI), ressaltou que o primeiro seminário é o início de uma concepção de futuro maior. “Estamos realizado aqui a primeira ação de cumprimento desse sonho, que foi iniciado em 2009 em Caracas”. Para ela um país não se desenvolve com projetos de momento. “Já iniciamos estudos de projetos de desenvolvimento e sustentabilidade e porque não nos unirmos para trocar ideias profissionais e recursos como um só país integrante de um mesmo continente”, observou. “Que desse projeto possamos mostrar que podemos nos unir em solidariedade”, propôs Irene.
 
O I Seminário Pensar as Américas é uma realização do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), do Crea Pernambuco – anfitrião –, da União Panamericana de Associações de Engenheiros (UPADI) e do Colégio de Engenheiros da Venezuela (CIV). O evento recebeu, já na abertura, delegações da Argentina, Venezuela, Costa Rica, Honduras, Cuba, Colômbia, Nicarágua, Guatemala, República Dominicana, El Salvador e Canadá.
 
Presidentes dos Creas prestigiam evento
 
Adalberto Carvalho, Aloísio Ferreira, José Tadeu e Paulo Laércio, respectivamente presidentes dos Creas do Rio Grande do Norte, de Alagoas, de São Paulo e da Paraíba, destacaram a importância desse movimento e de Pensar as Américas a partir de uma visão de Unidade.
 
“Dois valores são significativos nesse momento: o primeiro é o coroamento de uma intenção econômica a partir de uma visão mais solidária. O segundo é a tentativa do Crea-PE de iniciar no Nordeste do Brasil esse processo de reflexão. A participação do Canadá, também merece destaque, por ser fundamental, uma vez que os países da América do Norte e Central se ausentarem, muitas vezes, dessas discussões. Essa mudança demonstra um novo momento. Uma nova perspectiva”.
Adalberto Carvalho – presidente do Crea-RN
 
“Esse movimento é importante por significar o nascimento de uma ideia de união. É um importante começo, pois estamos num momento que precisamos de solidariedade entre os povos”.
Aloísio Ferreira – presidente do Crea-AL.
 
“O desenvolvimento dos países só será possível por meio das profissões da Engenharia, Arquitetura e Agronomia, uma vez que o desenvolvimento de muitas dessas atividades e empreendimentos envolvem profissionais da área tecnológica, a exemplo das telecomunicações, do transporte, da habitação, do saneamento, da urbanização, etc. Portanto, pensar em fazer essa integração passa, inquestionavelmente, pelo exercício das nossas profissões. O que queremos é um mundo igualitário e fraterno. Parabenizo o Crea-PE e o Clube de Engenharia de Pernambuco pela realização, além do Confea, da Febrae, da UPADI e da CIV. O desenvolvimento com solidariedade será a argamassa a unir os países”.
José Tadeu – presidente do Crea-SP e da Febrae (Federação Brasileira de Associações de Engenheiros).
 
“Da mesma forma que estamos preocupados com projeto de desenvolvimento aqui no Brasil, o Pensar as Américas permitirá que ultrapassemos os limites do nosso país. Essa união em solidariedade permitirá a superação de muitos gargalos, como, por exemplo, a entrada de profissionais nos países Panamericanos”.
Paulo Laércio – presidente do Crea-PB.
 
Ondine Bezerra
Assessoria de Comunicação do Confea

Crédito foto: Beto Figueirôa/Divulgação