Brasília, 10 de maio de 2010
Expectador de longe desse cenário, o Conselho Federal criou o Grupo de Trabalho Haiti com objetivo de inserir o Conselho no projeto de reconstrução do país. Após diversas reuniões com o Ministério das Relações Exteriores e outros órgãos, onde foram discutidas as prioridades para o Haiti como moradia e estrutura econômica, o GT fez um levantamento de currículos para selecionar um profissional que pudesse auxiliar no projeto. “A ideia é implementar uma tecnologia aliada à situação precária do Haiti, como a utilização de entulhos e integração com outros países que tenham conhecimento em construção civil pós-terremotos e que estejam lá em cooperação, como Chile, Itália, Japão, etc”, explicou o coordenador do GT, conselheiro federal Kleber dos Santos. “Essa atuação do Confea visa também à capacitação dos haitianos para a construção”, completou.
Na opinião de Aluizio Câmara, essa troca de experiência e possível capacitação são muito importantes, porque há no Haiti uma deficiência muito grande de ordem técnica nas construções. “Eles estão engatinhando ainda”, explicou. “Não há um órgão como o Confea aqui para normatizar e fiscalizar a profissão. A gente sente que não há uma orientação técnica no momento da construção”, explicou.
O coordenador adjunto do GT Haiti e presidente do Crea-PE, José Mário Cavalcanti, disse que haverá uma reunião no próximo dia 18 de maio, com presença do engenheiro Aluizio, para o Grupo avaliar o diagnóstico apresentado pelo profissional e tomar uma posição quanto à ampliação da participação do Confea na reconstrução do Haiti. “A participação do Confea nesse processo de ajuda está alinhada com a política de inserção internacional da Casa. Trata-se de um processo de solidariedade. O Confea não vai ao Haiti em busca de negócios, mas sim para conceder ajuda”, afirmou.
Há preliminares de quatro propostas a serem apresentadas na reunião do dia 18 de maio que Aluizio adiantou. A primeira é a recriação de uma confederação de engenheiros e arquitetos do Haiti. “Sabemos que, em tese, existe algo como um colégio de engenheiros. Mas não conseguimos encontrá-los ou entrar em contato”, comentou. Outra sugestão a ser apresentada é um projeto piloto com a reciclagem dos escombros, com alguns protótipos de habitação e capacitação de profissionais, “como um verdadeiro centro de aprendizado”.
A implantação de um projeto habitacional, como um novo bairro com infraestrutura urbana adequada de comércio, serviço e educação é outra proposta de Aluizio. O projeto seria subsidiado pelo estudo de uma área a ser definida pelo Ministério de Assuntos Sociais. Outra proposta é a capacitação de pessoal técnico, engenheiros, arquitetos e técnicos em engenharia para atuarem no projeto de “refundação” do Haiti.
Também integram o GT Haiti do Confea, além de Kleber de Sousa e José Mário Cavalcanti, os conselheiros federais Anderson Fioreti e Pedro Lopes e o presidente do Clube de Engenharia de Pernambuco, Alexandre Santos, como representante do Colégio de Entidades Nacionais.
Aluizio Câmara é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Pernambuco, com pós-graduação em planejamento urbano e local. Ele é especialista em saneamento básico, concreto protendido e técnicas de cooperativas habitacionais, entre outros.
Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea
Fotos tiradas por Aluizio Câmara
