Planejamento urbano, edificações e políticas públicas são temas discutidos em Seminário

Brasília, 28 de junho de 2010.

“Estava na hora de a sustentabilidade sair do mundo acadêmico. Precisamos aprofundar a discussão e sugerir ações concretas”. Foi com essas palavras que a arquiteta e urbanista Cláudia Amorim, professora da Universidade de Brasília (UnB), deu início ao painel “Experiências Práticas” do Seminário Construções Sustentáveis, que ocorreu na última quinta-feira (24/6).

No debate, participaram José Galbinski - PhD em Planejamento Urbano, Coordenador do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de Brasília (Uniceub) -, Filomena Russo - Mphil Environmental Design, Associada da Foster+Partners (Londres, Inglaterra) – e Fabiano Sobreira - PhD em Desenvolvimento Urbano - PDEE University College London e professor do Uniceub.

Tanto Galbinski quanto Filomena Russo concordaram que “sustentável” é uma denominação nova para algo que já vem sendo estudado há muito tempo. “O que se fala hoje de sustentabilidade na arquitetura moderna no Brasil, os arquitetos vêm fazendo desde a década de 1930, só que com outro nome”, contou Galbinski, que exemplificou que naquela época já se pensava em fluxo dos ares, cobogó*, jardins, etc. “Em comparação ao passado, hoje, o emprego da tecnologia ajuda tremendamente a sustentabilidade”, complementou, destacando que “a tecnologia tem que estar a serviço das soluções. Não o contrário”.

Ao ressaltar a importância da inovação tecnológica no contexto das construções sustentáveis, Galbinski disse acreditar que a relação entre indústria e universidade deve ser intensificada, “para que a indústria invista em pesquisa”.

A contribuição de Sobreira para o debate foi o questionamento sobre o que de fato é considerado “verde”. “Apesar de termos discursos, retóricas e espetáculos sobre sustentabilidade, temos mais divergências do que convergências sobre os meios como alcançar sustentabilidade”, argumentou. Ele disse ter receio de que a “onda verde”, como apelida, seja mais propaganda do que fato. “Até que ponto os edifícios intitulados ‘verdes’ são de fato sustentáveis?”.

Sobreira também questiona se o método Leed* de certificação de edifícios não é um modelo importado e pouco adaptado para as realidades regionais. “Temos que tomar cuidado para que esses projetos certificados não sejam apenas ‘casinhas’ camufladas de verde”, defendeu. Nesse ponto, Filomena Russo concorda com Sobreira. Segundo ela, na Europa, os métodos de certificação visam a muitas reduções de gás carbônico, mas não necessariamente esses modelos seriam os melhores para aplicação no Brasil. “Tem que se levar em conta o clima, a cultura e a viabilidade econômica para o país”, disse.

Russo ainda citou um exemplo sobre como iniciativas da área da arquitetura não devem ser aplicadas uniformemente em todos os lugares do mundo. “Na época colonial do Brasil, os portugueses tentaram implantar aqui o conhecimento deles e construíram casas de taipo, como faziam em Portugal. No entanto, essas casas não suportavam as chuvas daqui”. Segundo ela, foi daí que surgiu a ideia de se usar azulejos nas fachadas das casas no Brasil, por uma questão de resistência às chuvas: claro exemplo de adaptação.

* Cobogó é um elemento vazado usado na arquitetura para fechamento de estruturas permitindo a circulação de ar e entrada de luz.

* Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) é uma certificação para edifícios sustentáveis, concebida e concedida pela ONG americana U.S. Green Building Council (USGBC), de acordo com os critérios de racionalização de recursos (energia, água etc.) atendidos por um edifício.


Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea