Crea-DF lança Manifesto do Fórum da Copa de 2014 no Distrito Federal

Brasília, 19 de julho de 2010.

Sob coordenação do Crea-DF, o Fórum da Copa de 2014, que reúne 27 segmentos da sociedade civil do Distrito Federal, fez um alerta à sociedade e ao governo sobre as consequencias da lentidão na preparação de Brasília para o Mundial de Futebol. Na última quinta-feira, 15 de julho, o Fórum lançou, em entrevista coletiva à imprensa, o Manifesto Fórum da Copa de 2014 no Distrito Federal.

Segundo o presidente do Crea-DF, Francisco Machado, as iniciativas para a realização do evento em Brasília, uma das 12 cidades a sediar os jogos, têm sido esparsas e insuficientes. “Não se trata apenas de se construir estádios e melhorar os aeroportos. As necessidades são muitas e envolvem toda a sociedade”, alerta Machado. “Estamos falando de necessidades como infraestrutura de transporte, segurança pública e privada e mobilidade urbana”, destacou.

O Manifesto é composto de 14 pontos principais, entre os quais se destaca, por exemplo, um alerta para a falta de planejamento global, articulado, centralizado e integrado. “Se há planejamento, ninguém sabe, ninguém viu. O investimento público tem origem na sociedade e, portanto, ela deve participar das decisões sobre o que vai ser feito para viabilizar a realização do Mundial”, ressalta Machado.

Ele destaca a importância de se pensar no legado pós-Copa, chamando a atenção para a necessidade de se trabalhar para que as obras permaneçam úteis após a realização dos jogos e resultem em mais qualidade de vida nas cidades, além de crescimento econômico, inovação tecnológica, inclusão social e oportunidades para toda a população. “Não queremos ‘elefantes brancos’, construções que não serão aproveitadas após o evento”, afirma.

O manifesto destaca ainda que o Comitê Organizador Local (COL-DF), constituído pelo governo para implementar a organização do evento em Brasília, ainda não possui membros. Francisco Machado destaca que não tem havido transparência quanto às ações do governo e que, ao contrário, há distanciamento em relação à sociedade. “O Fórum solicitou audiência com o governador, mas até agora não conseguimos ser ouvidos”, afirma, chamando atenção a exiguidade do prazo disponível para o planejamento e a execução das obras e outras iniciativas necessárias para a realização da Copa. “Se não houver planejamento em tempo hábil, haverá improvisação e isso levará ao encarecimento das obras, custo que será arcado pelo conjunto da sociedade”, alerta.

Estádios interditados
Durante a entrevista coletiva, Francisco Machado informou que pediu ao Ministério Público a interdição de 13 estádios de futebol do DF, porque nenhum deles apresentou laudo de engenharia e estabilidade estrutural, conforme determina a Lei n° 10.761, conhecida como Estatuto do Torcedor. “O prazo já venceu. 13 estádios do DF estão fora da lei e há risco de acidentes a qualquer momento”, afirma Machado. “Enviamos ofícios ao governador do DF e ao secretário de Esporte, mas como nenhuma providência foi tomada, solicitamos a interdição dos estádios ao Ministério Público”.

Também participaram da entrevista o ex-membro da FIFA, José Bonetti, que destacou, a partir de experiências anteriores em Barcelona e na China, a importância da constituição de voluntariado para o sucesso de eventos do porte da Copa do Mundo. Bonetti também criticou algumas exigências da FIFA, como, por exemplo, a exigência de um estádio de 71 mil lugares para a realização do jogo de abertura. “Uma obra como essa em Brasília deixaria como legado um imenso elefante branco. Contudo, a capital federal tem o direito de sediar o jogo de abertura, pela sua importância arquitetônica e para evitar o deslocamento de centenas de autoridades integrantes dos três poderes”, afirmou.

Também participou da entrevista coletiva o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF), Higino Fabiano.

Mariana Silva
Assessoria de Comunicação do Confea