São as próprias mulheres que formam o paradigma de que a mulher 'não pode'.

Cuiabá, 23 de agosto de 2010.

"Teresa Pino acredita que a mulher se impõe limites"
A atuação da mulher no mercado de trabalho foi discutida em três âmbitos na tarde de hoje: mundial, nacional e dentro do Sistema Confea/Crea. Com o tema “Inserção, perspectivas e desafios da mulher no contexto mundial”, a presidente do Centro Paraguaio de Engenheiros, María Teresa Pino abriu as discussões do 7º Fórum da Mulher.

Para a palestrante, muitas vezes, é a própria mulher que se impõe limites de atuação. “Ela mesma que decide não participar de determinada atividade quando tem que escolher entre família e trabalho. Para se emancipar profissionalmente, geralmente a mulher paga um preço caro: família”, disse. “Soma-se a isso, o fato de que a mulher tem quase que fazer o dobro em determinada tarefa para conseguir o mesmo reconhecimento que um homem conseguiria”, disse.
No entanto, María Teresa Pino avalia que o preconceito contra a mulher no ambiente de trabalho vem mais de outras mulheres do que dos homens. “Eu pessoalmente nunca me senti discriminada em um ambiente de trabalho”. Não obstante as tarefas do lar e o cuidado com os filhos, Maria Tereza acredita ser possível que a mulher se destaque profissional e politicamente se ela própria não se impuser limites. “Exemplos são encontrados nas diretorias de instituições como a Federação Mundial de Engenheiros e a União Panamericana de Engenheiros, cujas presidências são exercidas por mulheres”, concluiu. “São as próprias mulheres que estão formando esse paradigma de que a mulher ‘não pode’”.

Para abordar a situação brasileira, participou do Fórum a coordenadora de projetos da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, Eunice Lea de Morais. Na ocasião, Eunice apresentou o Programa de Equidade de Gêneros, abrangido no II Plano Nacional de Políticas para Mulheres. “É um programa que trata da equidade entre homens e mulheres no ambiente de trabalho especificamente”, explicou Eunice. Eunice disse à imprensa que, além do Programa, o Plano Nacional prevê, ainda, projetos de capacitação de mulheres para a área da construção civil. “Já está acontecendo em alguns estados, mas o destaque é em Canoas, no Rio Grande do Sul, onde as mulheres estão colocando a mão na massa”. Eunice afirmou que o fato de existir um Fórum da Mulher na programação da Soeaa representa evolução do Sistema Confea/Crea no debate sobre a inserção da mulher no sistema profissional.

A conselheira federal Ana Karine abordou a inserção da mulher no Sistema Confea/Crea. O objetivo principal de sua apresentação foi explanar a transição entre os Grupos de Trabalho Mulher (existente até o ano passado) e o novo grupo Equidade de Gêneros. “O nome mudou para mostrar para a sociedade que o trabalho do Confea vai além do tema ‘empoderamento da mulher’ para discutir a questão das minorias”.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea