O Brasil e as profissões do futuro

Cuiabá, 24 de agosto de 2010.

"Pochmann: Brasil precisa de segurança nacional"
“Mato Grosso, a exemplo do Brasil, tem recursos naturais em abundância. Tem sol, água, terra, ventos, mas política pública, não”, comentava Márcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), poucos minutos antes de iniciar a coordenação do Painel 04, da 67ª Soeaa que tratou do Futuro das Profissões no Brasil.

Em sua apresentação, primeiro elogiou a Semana, dizendo que “momentos como este são importantes para o profissional e para a categoria”, depois, partiu para o ataque: “o Brasil não quer mais ser liderado. Quer liderar. A realidade é outra. No pós-crise de 1930, as grandes economias dominaram o mundo. Hoje 63% da economia mundial dependem da China, da Índia e do Brasil”, informou.

Pochmann afirma que para o Brasil protagonizar o nível de desenvolvimento que se avizinha, “tem que ter uma moeda que circule internacionalmente, coisa que não ocorre hoje. Precisa de um sistema de segurança em função da exploração do pré sal e por deter grande parte da água doce no mundo - itens que exigem mais cuidados com a segurança nacional. Precisa, ainda, desenvolver um sistema nacional e de difusão de tecnologia”.

O país com uma população de quase 200 milhões de habitantes e apenas 80 mil doutores, que tem apenas 13% de sua população de jovens entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior, tem, na opinião de Pochmann, que “apostar na formação de qualidade de novos profissionais”.

“Não basta ser gênio”
"Salomão: o país precisa de profissionais em áreas estratégicas"
“Seremos ou não seremos um país sustentável? Essa decisão ainda não foi tomada”, afirmou Ricardo Salomão, engenheiro naval e gerente geral da Universidade Petrobras. Para Salomão, as profissões do futuro no setor do petróleo são química, engenharia química. “Precisamos deles, inclusive dos técnicos químicos para tentar diminuir a poluição dos derivados do petróleo”, disse.

“O país necessita de profissionais em áreas estratégicas como energias renováveis, engenharia submarina, logística - para que o processo de extração do petróleo e gás do pré sal, transporte e armazenamento, não enfrente gargalos difíceis de superar”.

Segundo o gerente da Universidade Petrobras, alem de se formar nessas áreas para atender a demanda do país, o engenheiro do futuro imediato tem que ter: “visão econômico-financeira de sua área de atuação”. Ao finalizar, Salomão defendeu o “resgate da capacidade de se elaborar projetos básicos executivos de plantas industriais. Um trabalho complexo”, e aconselhou mais uma vez: “não adianta o profissional estar bem capacitado se não souber se comunicar, dialogar e negociar. Não adianta ser gênio se não souber trabalhar em equipe”, disse.

"Gustavo Penna, do IAB"
Gustavo Penna, do Instituto dos Arquitetos do Brasil, participou do painel lamentando que o “Brasil ainda engatinhe nas questões da arquitetura e urbanismo” e aconselhou a engenheiros e arquitetos que ao “projetarem casas e cidades, lembrem-se de dar qualidade de dimensões humanas a esses espaços a serem ocupados por gente”. Penna afirmou que “mudanças no sentido de dar qualidade ao conhecimento serão refletidas na arquitetura e do urbanismo contemporâneos”.

"Paolinelli: conhecimento é chave para desenvolvimento"
Por último, o ex-ministro da agricultura, Alysson Paolinelli, historiou o passado da agronomia e da economia nacionais e foi taxativo: “a busca do conhecimento é a chave para o desenvolvimento. O Brasil hoje tem competência, mas precisa de mais”.

Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea