Conselheiros federais se manifestam sobre resgate dos mineiros chilenos

Brasília, 15 de outubro de 2010

De acordo com informações do jornal Valor Online, o acidente com os 33 mineiros no Chile levou o ministro de Minas e Energia do Brasil, Márcio Zimmerman, a mobilizar a equipe técnica do Ministério para reavaliar as normas de segurança na mineração brasileira. A decisão de Zimmer é um exemplo de como o acidente no Chile causa repercussões pelo mundo.

Reunidos em sessão plenária extraordinária na última quarta-feira (13/10), dia do resgate dos mineiros, os conselheiros federais do Confea (conselho federal que congrega, entre outras profissões, geólogos, engenheiros de minas e engenheiros de segurança do trabalho) se manifestaram a respeito do assunto.

“Desejamos que o mesmo esforço empreendido na busca de tecnologias para o salvamento seja empreendido, daqui por diante, para prevenir acidentes dessa natureza em qualquer parte do mundo”, disse o conselheiro federal Lino Gilberto da Silva, em nome do plenário. “Que os conhecimentos da engenharia, especialmente os da área de segurança no trabalho, sejam o norte da atuação de profissionais e empresas que atuam na extração dos recursos naturais”, concluiu. Leia a íntegra do pronunciamento.

Para a presidente da Associação Nacional de Engenharia de Segurança do Trabalho (Anest), Elizabeth Spengler, o acidente no Chile mostra a importância da Engenharia de Segurança do Trabalho. “Trata-se de uma ciência que, através de estudos, faz a previsão do que é possível acontecer e formas com que podemos nos precaver”. Ela explicou que no Chile a Engenharia de Segurança do Trabalho não é uma profissão reconhecida. “Já no Brasil temos uma legislação muito boa, bem feita, e ela tem sido respeitada. Não digo na sua totalidade, mas existe um crescente – agora, depois desse evento, mais ainda - respeito em relação às normas. Muitas minas brasileiras vão além do que está escrito na lei, proporcionando segurança maior”.

Acidentes semelhantes em minas brasileiras são improváveis. O problema é o garimpo.
O presidente da Federação das Associações de Engenheiros de Minas do Brasil (Faemi), Vicente Lucena, explicou que é improvável ocorrer acidente semelhante ao do Chile no Brasil, pois a maioria das minas do país são a céu aberto, poucas são subterrâneas*. “A mina San José é pobre. Eles não tinham condições financeiras e tecnológicas. Era uma mina que tinha pouco investimento em segurança do trabalho. No Brasil, temos poucas minas subterrâneas, mas essas são bem estruturadas, bem equipadas”, comparou.

Nivaldo Bósio, presidente Federação Brasileira de Geólogos (Febrageo), concorda com Lucena e acrescenta outro ponto. “No Chile a ocorrência é mais provável ainda porque ali eles estão em zona de encontro de placas tectônicas, de terremotos, o que não ocorre no Brasil”, lembrou. “Dessa história toda, a tecnologia da geologia e da engenharia de modo geral mostrou-se extremamente importante”, afirmou Bósio.

Vicente Lucena, da Faemi, alerta, no entanto, que, embora problemas semelhantes aos do Chile sejam improváveis de ocorrerem no Brasil, a atividade mineradora brasileira também tem riscos graves. “Nosso problema são os garimpos subterrâneos, a intensa informalidade do setor. Morre gente diariamente. É uma estatística horrível. É absurdo”, ressaltou. Para ele, a questão vai além de cada país e se torna tema mundial. “Os bens minerais não são recursos naturais renováveis. Quanto mais escassos ficam, mais complexa é sua extração. Cada vez mais são necessários profissionais especializados na área de engenharia de minas”, defendeu. Para ele, uma solução é buscar o constante aprimoramento da união entre conhecimento, tecnologia e fiscalização.

*De acordo com a Febrageo, de cerca de 2,6 mil minas existentes no Brasil, 47 são subterrâneas.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea