Brasil investe pouco na inovação de equipamentos de telecomunicações

Rafael Bitencourt – Valor Online, 28 de outubro de 2010 | 11h53

BRASÍLIA - O investimento privado no Brasil voltado para a pesquisa em tecnologia da informação e comunicação (TIC), com ênfase no setor de telecomunicações, é considerado irrisório quando comparado aos patamares dos Estados Unidos e da Europa. A constatação está no "10º Boletim Radar: Tecnologia, Inovação e Comércio Exterior", divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Esta edição do boletim mostra que, enquanto as economias americana e europeia investem, respectivamente, 0,65% e 0,31% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisas para o desenvolvimento de novas soluções nos setores de informática e telecomunicações, a indústria brasileira destina somente 0,1% do seu PIB para inovações neste segmento.

O artigo intitulado “Investimento em P&D no Brasil e no Mundo” defende que o investimento em pesquisa é essencial para o país assumir o papel de protagonista no mercado de telecomunicações. “A ampliação dos investimentos em inovação é condição necessária para o crescimento das TICs no Brasil, o próprio desenvolvimento destas tecnologias também é condição fundamental para a competitividade da economia brasileira como um todo”, ressalta.

Os pesquisadores argumentam que, cada vez mais, o desenvolvimento tecnológico em telecomunicações está atrelado a um aumento da produção científica nesta área. Para fazer uma avaliação da evolução da produção científica no mundo, o estudo fez um levantamento sobre o processo de patenteamento de novos produtos por parte dos grandes fabricantes de equipamentos tecnológicos.

“Olhando para estas patentes, você consegue visualizar quais são as tendência tecnológica do setor”, afirmou autora do artigo, Fernanda De Negri. A publicação também é assinada pelo pesquisador Leonardo Costa Ribeiro.

Fernanda ressaltou durante a apresentação do artigo que houve um saltou no registro de patentes relacionadas a TICs, de 1.720, em 1990, para 17.335, em 2006. Segundo ela, a maior parte dos registros de patentes se deu nas áreas de informática e engenharia de telecomunicações.

Ainda de acordo Fernanda, as pesquisas no setor de telecomunicações migraram na última década das operadoras de telefonia para os fornecedores. Ela informou que esta mudança de cenário ocorreu especialmente por conta do processo mundial de privatização do setor de telecomunicações.

(Rafael Bitencourt | Valor)

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