Presidentes dos Creas do Nordeste discutem mudanças climáticas e Rio São Francisco

Maceió, 22 de novembro de 2010

Começou nesta manhã e prossegue até terça-feira, em Maceió, a quinta reunião do Colégio de Presidentes de Creas do Nordeste, na sede do Crea-AL, sob a coordenação do engenheiro civil Francisco Adalberto, presidente do Crea-RN.

Na pauta do evento três exposições motivaram os presentes ao debate: a revitalização do Rio São Francisco, palestra apresentada pelo engenheiro agrônomo Inácio Loiola – ex-prefeito da cidade de Piranhas/AL e recentemente eleito deputado estadual por Alagoas; o aquecimento global, com exposição do meteorologista de renome internacional, Luis Carlos Molion, e o resultado da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) realizada pelo Crea de Alagoas ocorrida nas barragens públicas do interior do estado.

Depois de vários informes feitos pelos presidentes sobre o que está em evidência nos seus regionais, teve inicio a primeira palestra sobre o Rio São Francisco. O engenheiro Loiola começou sua apresentação citando Leon Tolstoi “Todos querem mudar o mundo, porém nada faz para mudar a si mesmo”. Aliou esse pensamento à idéia da imposição das autoridades do governo federal em transpor as águas do Rio São Francisco para outros estados do Nordeste sem respeitar argumentos técnicos que pedem antes de transpor se revitalizar o Velho Chico.

Construção de Sobradinho não media consequências futuras
Ao apresentar dados sobre as vazantes, traçou um histórico do rio antes e depois das barragens, e foi taxativo afirmando que o projeto de transposição põe em risco a união do povo nordestino. Disse que o grande problema começou na construção da represa de Sobradinho que não previu as conseqüências do futuro.

Ainda considerou a CHESF como predadora do rio. Mostrou com dados técnicos que o aproveitamento das águas subterrâneas do semi-árido setentrional atenderia 100% dos sertanejos com terras irrigadas, podendo gerar um milhão de empregos sem necessidade da transposição. “Primeiro devia ser feita a revitalização – que tem custo estimado em R$ 5 bilhões – para depois se falar em transposição”, argumentou.

Se a transposição padece de males inconstitucionais, ficou a sugestão entre os presidentes, no calor dos debates, de se criar um GT dos Creas/NE para, munidos de mais dados, se aprofundarem na discussão antes de levar a público a real situação do projeto. Outra proposição foi a visita a Hidrelétrica de Xingó, em 2011, com a realização de outro fórum de debates na cidade de Piranhas reconhecida como patrimônio da União.

Aquecimento global: Mito ou realidade?
Há 40 anos estudando clima, o professor Luiz Carlos Molion, pesquisador e pós-doutor em meteorologia na Inglaterra e Estados Unidos, e também cientista que gosta de nadar contra a corrente, sustenta que a tendência dos próximos 20 anos é o esfriamento da Terra e que o efeito estufa é tese manipulada pelo G7 (os países ricos).

Disse que o CO2 não é o grande responsável pelo aumento da temperatura. A anomalia do aquecimento está no adensamento urbano visto que 55% da população global vivem nas grandes cidades. No Nordeste 80% estão concentrados nos centros urbanos. Segundo o pesquisador, o aquecimento é o efeito das ilhas de calor urbano. “O clima está mudando por causa dos seres humanos. Estudos provam que o resfriamento global não será bom. Eventos externos como geadas, secas, tempestades, maremotos, tsunamis,  sempre ocorreram com o clima frio ou quente”, explicou. Insiste que o CO2 não é gás tóxico, não é o vilão e não controla a vida do planeta. Acha que o problema está no aumento da população, nas mudanças de hábito de consumo e na poluição do ar. “A crise não é climática e sim energética”, conclui. Molion disponibilizou o material apresentado na sua palestra, que durou 45 minutos, para os presidentes e assegurou que há previsão de resfriamento nos próximos 20 anos.

A conclusão do relatório da FPI que o Crea-AL fez nas barragens públicas do interior de Alagoas foi apresentada presidente Aloísio Ferreira, como também a metodologia  utilizada. Todas sem manutenção e sem nenhum profissional engenheiro do DNOCS.

O presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, fez parte da mesa de abertura dos trabalhos que ficou formada por Aloísio Ferreira, presidente do Crea-AL e anfitrião do encontro, Cláudio Calheiros, diretor de benefícios da Mútua-Caixa de Assistência, Jonas Dantas (presidente do Crea-BA), Francisco Adalberto Pessoa de Carvalho (coordenador), Inácio Loiola(palestrante) e o deputado estadual e engenheiro civil Judson Cabral (PT). A reunião também foi prestigiada com presenças de representantes das entidades de classe e autoridades do primeiro escalão do governo estadual.

Eanes Melo
Assessoria de Comunicação do Crea-AL