Brasília, 18 de novembro de 2010
Atual presidente da Companhia Docas de São Sebastião e diretor do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo, o engenheiro Frederico Bussinger - que por duas vezes já presidiu o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, de 1988 a 90 e de 1991 a 93 - participou da 2ª etapa do 7º Congresso Nacional de Profissionais que o Sistema Confea/Crea promoveu em Brasília, no Centro de Convenções da Capital Federal, de 17 a 19 de novembro.
Para ele, as expectativas com relação ao evento e seus resultados são boas já que "a matéria prima é bastante rica". No entanto, destaca, "resta saber como será conduzido o restante do processo". Mas Bussinger se confessa especialmente "focado, hoje, na questão da perda de importância, no Brasil, das profissões em geral e dos profissionais como decorrência".
Ele afirma que "a multiplicação dos órgãos meio, de controle, colocam a responsabilidade técnica, a própria atribuição e o papel do profissional em 2º, 3º , 4º ou 5º planos e eu acho que isso não é bom para o país".
"As profissões reunidas pelo Sistema Confea/Crea, por exemplo, são profissões fins", esclarece. "Nós fazemos o projeto, a obra, a manutenção, criamos as coisas e eu sinto que estamos entravados no Brasil, apesar da grande demanda do ponto de vista da infraestrutura, dos serviços públicos, de áreas produtivas".
Bussinger afirma que hoje, a visão que se tem do papel do profissional e em última instância, da assinatura do profissional, "é de um valor secundário" e com isso a discussão sobre a Valorização Profissional, tema de várias propostas do 7º CNP, "acaba diluída e é quase uma coisa utópica, um amor platônico".
"Se eu não responsável por nada, se tenho que ser fiscalizado, controlado - não estou falando sobre probidade, que é dever do cidadão, estamos falando do lado profissional - a valorização do profissional fica em último plano, no processo decisório. Tenho consciência de que essa é uma questão estratégica para o Sistema Confea/Crea e para o Brasil", afirma categórico.
Para o engenheiro e presidente da Companhia Docas de São Sebastião, "esse não é um problema exclusivo das profissões do Sistema, é um problema nacional e está em crescimento, o que é muito grave".
Bussinger percebe que o problema "atinge o processo decisório sobre o desenvolvimento do país como um todo. Com isso, geramos quase que o pior dos mundos: de um lado demanda, possibilidade de investimento e capacidade técnica, e de outro, a frustração de não conseguirmos realizar. Alguma coisa está errada".
Ele diagnostica que "a consciência sobre esse nó é o primeiro passo para entender o que está acontecendo. Se não entendermos onde está o nó, não vamos conseguir sair dele. Isso não é uma demanda corporativa, é uma necessidade de todas as profissões. Temos que ter um processo decisório, lógico, racional, eficiente construtivo em que os profissionais do Sistema participem num espectro bastante amplo. Os profissionais do Sistema têm um papel a desempenhar".
Na defesa de seu ponto de vista, Bussinger lança mão da história: "se olharmos historicamente, nos momentos em que o Brasil mudou de rumo, deu seus maiores saltos econômicos e fez mudanças estratégicas, os profissionais do Sistema Confea/Crea tiveram papel relevante. Basta citar a época de Getúlio Vargas e mesmo a dos militares. É isso que falta hoje".
Bussinger concorda com a necessidade de se ter projetos executivos bem elaborados e planos de crescimento a médio e longo prazos, mas para ele, "o pior é o que acontece hoje quando temos projetos e não conseguimos realizar,não por falta de dinheiro, mas por questões relacionadas ao licenciamento ambiental, licitação, gerenciamento, conflito de competências entre órgãos e falta de clareza na definição do projeto, além da instabilidade jurídica, um conjunto que eu chamo de atividades meio e que tem nos trazido muitos problemas".
Maria Helena de Carvalho
Assessoria de Comunicação do Confea
