Mauricio Lima - PiniWeb, 27 de janeiro de 2011
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), realizou, nos dias 13 e 14 de janeiro, uma inspeção nas cidades fluminenses de Teresópolis e Nova Friburgo, afetadas pelas chuvas durante o primeiro mês de 2011. Após essa inspeção, foi desenvolvido um relatório preliminar apontando os problemas de infraestrutura existentes na região que devem ser resolvidos de modo a evitar novas catástrofes.
A apresentação do documento foi realizada no dia 26 de janeiro pelo presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro. O trabalho de elaboração do relatório foi coordenado pelo engenheiro civil e assessor de meio ambiente do Crea-RJ, Adacto Ottoni, que contou com a ajuda do inspetor de Teresópolis, Mariano Loureiro, do conselheiro do Crea-RJ Leiner P. Rezende, dos agentes de fiscalização do Crea-RJ Marco Antonio Barreto e Rodney Benther, e da coordenadora de fiscalização do Crea-RJ para a região serrana, Jussara Lemos. O documento foi entregue às prefeituras de Nova Friburgo e Teresópolis.
Como principais necessidades, o relatório sugere que haja uma regularização da vazão dos rios da região, que é muito impermeabilizada, e o reflorestamento de áreas desmatadas e ocupadas. Começando pelas encostas, a regularização da vazão seria feita através de soleiras de encostas - pequenos diques formados por blocos de pedras secas argamassadas ou gabiões, com alturas que variam de 0,5 m a 1 m. Outro modo proposto para regularizar a vazão seria a construção de valas de terraceamento e bacias de recarga, que têm o objetivo principal de realizar a recarga dos lençóis freáticos, retendo o escoamento superficial de encosta e infiltrando-o em valas de pequena declividade.
De acordo com o relatório, poderiam ser construídas também bacias de retenção de águas pluviais localizadas adequadamente nas encostas, objetivando o amortecimento do pico das cheias, evitando a concentração de vazões nas galerias drenantes e calhas fluviais com o consequente transbordamento dos rios. É comum também a utilização de alçapões sedimentológicos para o controle de erosão do solo e a criação de parques públicos, praças, campos de futebol e áreas de lazer com a função de atuarem como bacias de retenção de águas pluviais.
Já nas calhas fluviais, o Crea-RJ reitera a possibilidade de implantação de soleiras de admitância - estruturas hidráulicas correspondentes a pequenos obstáculos com alguns metros de altura, dispostos transversalmente no sentido geral da corrente da calha fluvial natural com a função de realizar a acumulação hídrica na calha e nos mantos porosos marginais. Além disso, os técnicos do Crea também indicam a construção de pequenos e médios reservatórios de cheias localizados estrategicamente na bacia hidrográfica, normalmente nos trechos superiores e médios superiores dos cursos d'água.
Segundo o Crea-RJ, também devem ser construídos reservatórios e barragens, prevenindo fortes ondas de enchente decorrentes das chuvas e barrando destroços carregados pela água. Os reservatórios seriam dimensionados para resistir a ondas de enchentes e estariam localizados nos trechos médio e superior dos rios. O altura da barragem e o diâmetro de um orifício na parte baixa da barragem seriam dimensionados de forma a permitir uma vazão efluente controlada, evitando ou minimizando as inundações a jusante.
Os possíveis materiais sólidos e sedimentos trazidos pelo rio também poderiam ser retidos pela barragem, devendo ser também previsto um extravasor para verter possíveis águas em excesso. Estas barragens de cheia gerariam um efeito positivo de retenção e amortecimento de possíveis ondas de enchentes que possam vir escoando pelo rio nos períodos de chuvas intensas.
Medidas de emergência
O relatório ainda apresenta ações emergenciais que devem ser realizadas em curto prazo, como recuperação das vias urbanas e rodovias de acesso às áreas afetadas; reconstrução das pontes destruídas; avaliação estrutural das construções afetadas; recuperação de toda a infraestrutura urbana e rural; e avaliação do risco de vazamentos de chorume nos aterros de lixo das cidades afetadas. "A sugestão é que obras emergenciais de curto prazo e até relativamente baratas sejam feitas até o próximo ano", disse Agostinho.
Entre outras intervenções propostas, estão a elaboração de Mapas de Riscos de Deslizamentos de Encostas nas cidades da região e de um programa de contingência com relação às enchentes e deslizamentos. A recuperação das faixas marginais de proteção dos rios, retirada de pessoas de encostas íngremes e topos de morro, com plantio imediato de vegetação nativa, e monitoramento ambiental das bacias hidrográficas da região também são medidas observadas pelo Crea-RJ.
