Jornal do Comércio, 28 de janeiro de 2011
Eis que de repente, nada mais que de repente, todos os ecologistas do mundo resolveram se unir contra a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará. Um projeto que tem mais de 30 anos e foi debatido, estudado e refeito usa hoje as mais modernas tecnologias. Nesse caso, a prudência demasiada dos ecologistas está se tornando em tirania de uma minoria.
O Brasil quer ser a quinta economia do mundo. Deve ofertar ao investidor energia. Por isso estamos fazendo Belo Monte, Santo Antônio, Jirau, Estreito e o Complexo do Tapajós. Não haverá mais uma barragem única, mas duas menores, e abastecerá o Brasil com a média de 5 mil MW.
O País precisa que o seu Produto Interno Bruto (PIB) cresça 5% anualmente até 2020. Para alcançar esse desiderato, só com muita energia. O atual projeto da obra tem reservatório 60% menor que o previsto e serão investidos R$ 3 bilhões para evitar impactos ambientais. Belo Monte será a terceira maior usina de energia elétrica do mundo.
Por que essa fúria contra Belo Monte? Alegam, infantilmente, que gastando menos que os R$ 19 bilhões previstos para Belo Monte poderemos fazer uma campanha para economizar energia e, assim, obteremos os mesmos 5 mil MW médios de Belo Monte. Também citam a energia eólica e a solar. Mas para isso teremos que gastar e o retorno será mais demorado. Energia hidráulica ainda é mais barata e farta no País.
Mas, finalmente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a licença de instalação da hidrelétrica de Belo Monte. O consórcio Norte Energia, responsável pela hidrelétrica, poderá extinguir um total de 238,1 hectares de vegetação, dos quais 64,5 hectares em área de preservação permanente. Isso é desprezível, na imensidão amazônica.
A usina, localizada no rio Xingu, terá capacidade instalada superior a 11 mil megawatts e a primeira unidade geradora deverá entrar em operação comercial em fevereiro de 2015. O consórcio Norte Energia, formado por 18 empresas incluindo duas subsidiárias da Eletrobras, Queiroz Galvão e Bertin, ofereceu uma tarifa de R$ 78,00 o megawatt/hora, ante um preço máximo definido pelo governo de R$ 83,00.
Itaipu provocou celeumas e hoje abastece o Brasil em 20% das suas necessidades. Os ambientalistas devem ter conselheiros com muito conhecimento, prudência e consciência nacional. Outras hidrelétricas estão sendo feitas. O que houve de dano irreparável até agora? O Brasil precisa de energia para progredir, para ter mais indústrias, gerar empregos, renda e consumo.
Os mesmos indígenas que reclamam de Belo Monte usam celulares que necessitam de eletricidade. Com luz elétrica haverá progresso e as Forças Armadas ocuparão a Amazônia legal, que está abandonada. Não se prega o descompromisso com o meio ambiente ou a falta de cuidados com a flora e a fauna, mas o País tem excesso de burocracia para liberar uma obra pública. Tudo o que é pedido para que uma empresa micro, pequena, média ou grande funcione é de fazer qualquer um desistir. Os brasileiros não apoiam aquilo que não conhecem, simplesmente porque a admiração pressupõe algum conhecimento das vantagens e da necessidade para o País do objeto admirado. Que venha Belo Monte.
