Breno Costa - Folha.com, 08 de fevereiro de 2011 | 18h35
Destacado pelo Palácio do Planalto para falar com a imprensa sobre os aspectos favoráveis da usina hidrelétrica de Belo Monte, o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, afirmou hoje que posições contrárias ao empreendimento não podem levar o país ao "imobilismo".
"Tem que haver debate, mas não pode ter imobilismo. Em alguma hora, [o governo] tem que tomar uma decisão", afirmou.
No início da tarde, uma comissão de dez representantes indígenas contrários à construção da usina entregou um documento ao secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência da República, Rogério Sotilli, pedindo que o governo abandone o projeto de construção da hidrelétrica que, quando pronta, será a terceira maior do mundo.
Um dos líderes indígenas chegou a dizer que, se o governo insistisse com o projeto, haveria "briga" e "morte".
Segundo Tolmasquim, no entanto, a usina, cujo canteiro de obras ganhou licença do Ibama no fim de janeiro, "não tem impacto direto sobre áreas indígenas".
De acordo com ele, a insatisfação dos índios é decorrente da alteração na vazão na chamada Volta Grande do Xingu.
Entre os argumentos pró-Belo Monte, Tolmasquim citou a importância da usina para o crescimento econômico do país.
"O Brasil precisa de 5.000 MW por ano. Precisa de Belo Monte e de outras usinas. Não tem como achar que vai crescer sem precisar de energia", afirmou o presidente da EPE, responsável pelos estudos que balizam a implantação da usina.
Tolmasquim também argumentou que, "em nome do meio ambiente", o nível de alagamento exigido em Belo Monte será dez vezes menor que a média de outras usinas hidrelétricas.
A construção da hidrelétrica também permitirá, segundo ele, a realocação de 4.300 famílias que vivem hoje em igarapés e, portanto, "o resgate da população que vive em condições miseráveis".
O presidente da EPE afirmou que os investidores do empreendimento pagarão uma compensação ambiental de R$ 3,5 bilhões aos municípios afetados.
