EUA demonstram interesse por energia nuclear no Brasil

Francine De Lorenzo - Valor, 11 de fevereiro de 2011 | 15:59

SÃO PAULO – Atentos ao rápido crescimento da economia brasileira, os Estados Unidos sinalizaram nesta sexta-feira grande interesse pelo desenvolvimento de energia nuclear no Brasil. Com a expectativa de ampliação dos programas brasileiros no setor, a fim de atender a crescente demanda por energia, o governo americano vê no país um promissor destino para suas máquinas e equipamentos.
 
Em visita ao Brasil, o secretário adjunto de assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais dos Estados Unidos, Jose Fernandez, destacou a experiência das empresas americanas no assunto, e disse acreditar que os Estados Unidos poderão ser grande fornecedor de tecnologia e serviços ao setor. Apenas para manter as plantas já existentes em operação, a expectativa, de acordo com o secretário americano, é de que o Brasil gaste cerca de US$ 1,5 bilhão por ano.
 
“Ainda há estimativas que colocam o valor total das novas instalações nucleares no Brasil em quase US$ 25 bilhões, mas os Estados Unidos têm apenas cerca de um décimo desse mercado”, comentou Fernandez durante evento promovido pela Câmara Americana de Comércio de São Paulo (Amcham), referindo-se aos planos brasileiros de construção de novas usinas nucleares num período de 10 a 15 anos.
 
O secretário americano chegou ao Brasil no dia 9 de fevereiro e, ontem, encontrou-se com representantes do setor energético em Brasília. Segundo ele, nas reuniões, o tema enriquecimento de urânio não foi abordado. O interesse americano pelo setor de energia brasileiro, entretanto, não se restringe apenas ao segmento nuclear.
 
Fernandez fez questão de ressaltar a importância do Brasil na produção de petróleo, sugerindo uma maior aproximação entre os órgãos regulares dos dois países para o aprimoramento das normas de exploração. “Com a nossa produção no Golfo do México e as descobertas de óleo e gás pelo Brasil no pré-sal, a importância do desenvolvimento das questões ligadas à segurança nos dois países é evidente”, afirmou. (Francine De Lorenzo | Valor)

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