Brasília, 17 de fevereiro de 2011 | 13h49
Com as recentes tragédias naturais ocorridas no Rio de Janeiro, diversos núcleos da sociedade discutiram hipóteses, razões e prováveis soluções para a ocupação desordenada de áreas de risco - problema que não é novo, mas parece desafiar as autoridades competentes.
Instigado pela repercussão do caso, Mauro Carvalho, usuário do serviço de microblog Twitter, interessou-se em saber a opinião do Sistema Confea/Crea acerca da criação de um órgão federal de engenharia (a exemplo da AGU e CGU), com setor especializado em desastres naturais. O Confea convidou dois de seus membros para responder ao questionamento de nosso seguidor. Veja as respostas abaixo.
Trabalho em conjunto
*Paulo Bubach
“O Sistema Confea/Crea tem atuado quando da ocorrência de desastres naturais, a exemplo do CREA-PE no ano passado e do CREA-RJ, neste ano.
O Confea é membro do Conselho Nacional de Defesa Civil, e provocou uma reunião do Conselho, realizada no dia 31 de janeiro. Nesta reunião foi constituída uma Comissão Especial, da qual o Presidente do Confea é membro, que tem prazo de 60 dias para apresentar um relatório com foco no diagnóstico das recentes tragédias naturais ocorridas no Brasil e apresentar propostas indicando medidas de prevenção, pronta resposta e recuperação das áreas atingidas”.
Paulo Bubach é engenheiro e coordenador do Projeto Pensar o Brasil
Sistema de Monitoramento
*Renato dos Santos Andrade
“A criação de um sistema de monitoramento de áreas de riscos e prevenção de desastres naturais é uma necessidade concreta num país onde mais de 80% da população é urbana com grande incidência de uso e ocupação desordenada do solo.
No ano de 2010 foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Defesa Civil que apontou para a necessidade de construção de uma política nacional de Defesa Civil e a Presidente Dilma Rousseff já determinou a criação do Sistema de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais – SISMADEN que tem como objetivo maior gerar um sistema de alerta para ação preventiva dos órgãos governamentais e das comunidades, de forma a salvar vidas.
A geologia, a meteorologia, a geografia, a arquitetura e a engenharia são ciências fundamentais nesse processo, pois disponibilizam informações técnicas e geram soluções para as várias situações apresentadas.
As grandes cidades precisam de Mapas Geotécnicos com a identificação de áreas de riscos, de preservação ambiental e de uma legislação eficiente com atuação firme do Estado para inibir a ocupação dessas áreas identificadas como potenciais para a ocorrência de deslizamentos, inundações e, portanto, impróprias para a moradia e outras atividades urbanas.
Os acidentes naturais continuarão a existir, já que fazem parte da dinâmica do nosso Planeta. A principal necessidade é a existência de um sistema com informações estruturadas que poderá ser alocado em algum órgão do Governo Federal, aliado a um sistema de alerta que permita a atuação preventiva dos órgãos públicos, aliado a um trabalho sistemático de conscientização e educação da população envolvida.
Trabalho realizado pelo IPT – SP identificou mais de cem mil habitações na Grande São Paulo em condições de risco, dados que demonstram o tamanho da problemática existente e da necessidade de concentração de esforços e atuação das várias esferas de governo para a sua solução, onde os profissionais vinculados ao Sistema Confea/Crea são partes indispensáveis do processo”.
Renato dos Santos Andrade é geólogo e responsável pela Superintendência de Planejamento, Programas e Projetos do Confea
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