Falta de engenheiros no país pode causar atrasos nas obras do PAC, Copa e Olimpíadas

Época, com informações da Agência Brasil, 23 de fevereiro de 2011 | 12h44

Faltam engenheiros no Brasil, e essa carência pode levar a atrasos nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa de 2014 e das Olimpíadas no Rio em 2016. É o que afirma o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo. “Estão faltando engenheiros no mercado de trabalho e faltarão mais ainda”, disse. Para ele, “o apagão de mão de obra poderá trazer graves consequências para a economia brasileira”.

Segundo o cálculo do Conselho, o déficit no Brasil, hoje, é de 20 mil engenheiros por ano, número que deve aumentar com a crescente demanda por esses profissionais nos projetos do PAC, do Programa Minha Casa, Minha Vida, na exploração de petróleo no pré-sal, nas Olimpíadas e na Copa do Mundo.

Para Melo, faltam engenheiros para empreender projetos básicos e executivos. Ele diz ainda que já se sente essa carência e que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) reclama constantemente dos atrasos nas obras dos estádios brasileiros, muitos dos quais tiveram que, inclusive, ser projetados no exterior.

“Isso pode ser viável (pedir a escritórios estrangeiros que projetem grandes obras) desde que haja reciprocidade e se tenha oportunidades de negócios para empresas brasileiras no exterior”, disse ontem (22) o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, durante encontro organizado pelo Confea em Brasília.

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O ministro defende também a formação técnica de engenheiros, mais curta que o bacharelado, para suprir a demanda rapidamente, mas essa ideia não tem o apoio dos engenheiros e causou, segundo Mercadante, “burburinhos” entre os profissionais.

“O Brasil vai ter que acelerar a formação desse profissional que está fazendo falta no mercado”, insistiu Mercadante, que contabiliza a formação de 10 mil tecnólogos e 30 mil engenheiros anualmente no país.

O presidente do Confea, porém, não vê a medida como ideal. Para ele, a melhor saída seria oferecer mestrado para a atualização profissional dos cerca de 158 mil engenheiros formados no Brasil que não trabalham na área, reaproveitando-os em todos esses projetos. Além disso, Melo quer que haja políticas públicas para diminuir a evasão dos cursos de engenharia e mais controle do Ministério da Educação sobre a qualidade destes.

Dados trazidos pelo ministro Mercadante mostraram que o Brasil está bem atrás de outros países emergentes quando se considera a formação desses profissionais. Aqui se forma um engenheiro a cada 50 pessoas que concluem o curso superior. Na Coreia do Sul, esse número é de um engenheiro para quatro graduados; e no México a relação é de um engenheiro para 20 graduados. Para contornar a situação, o governo trabalha na elaboração de um programa nacional para engenharia.

Em números absolutos, o Brasil, que forma uma média de 40 mil profissionais por ano, também perde para outros emergentes. Na Coreia, 90 mil engenheiros são formados; na Índia, 220 mil; e, na China, 650 mil (incluindo-se, neste caso, 250 mil que têm formação assemelhada à dos tecnólogos).

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