Futuro presidente da APO, Henrique Meirelles diz que Olimpíada não terá atraso

Silvia Amorim – O Globo, 18 de março de 2011 | 00h08

SÃO PAULO - Dois dias após aceitar o convite para comandar a Autoridade Pública Olímpica (APO), o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles procurou afastar na quinta-feira qualquer preocupação com atrasos de obras e licitações para as Olimpíadas de 2016.

Meirelles admitiu, entretanto, que estruturar a realização dos jogos será um desafio complexo.
" A arquiteta chefe das Olimpíadas de Londres me disse que este é um projeto que dentro de um conceito normal de engenharia levaria 25 anos. Mas terá que ser executado em cinco "
- Acho que dá tempo, sim. Na semana passada, almocei com o chefe do projeto da Olimpíada de Inverno de Salt Lake City (EUA), um projeto que começou muito mal e atrasado. Não é o caso do Brasil - afirmou Meirelles, após evento na Bolsa de Valores em São Paulo. - A arquiteta chefe das Olimpíadas de Londres me disse que este é um projeto que dentro de um conceito normal de engenharia levaria 25 anos. Mas terá que ser executado em cinco.

Outro desafio da APO é impedir que ocorram nas Olimpíadas de 2016, as mesmas falhas do Panamericano de 2007, em que a falta de sintonia entre os governos prejudicou a organização. Meirelles explicou que a empresa foi criada justamente para coordenar as ações da prefeitura, do governo do estado e do governo federal. Não há ainda reuniões marcadas entre ele, o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral. Os encontros acontecerão somente depois que a indicação de Meirelles for aprovada no Senado.

- Eu tenho por norma aguardar a votação no Senado porque compete a ele aprovar a indicação. Depois disto, aí sim, iniciaremos os trabalhos - disse.

Meirelles foi indicado pela presidente Dilma Rousseff na última terça-feira para presidir a APO. O primeiro trabalho dele, assim que for oficializado pelo Senado, será preencher centenas de cargos da empresa estatal e lidar com a pressão de partidos governistas interessado no loteamento das vagas.

Na quinta-feira, o ex- presidente do BC mandou um recado a esses políticos.

- Eu não sofri pressão alguma ainda. No Banco Central também não, durante oito anos. Talvez seja a minha história. Acho que a prioridade absoluta, no caso das Olimpíadas, é o critério técnico. Se o técnico tiver ao mesmo tempo uma militância politica, ótimo. Mas, certamente o meu critério será técnico - declarou Meirelles.

Ele atribuiu ao rigor e ao seu perfil austero o convite de Dilma. Principal autoridade olímpica do país até 2016, Meirelles comentou que já foi um praticamente de esportes. E que é torcedor de três times de futebol.

- Já fiz vela por muito tempo. Hoje em dia, fico só na caminhada. No Rio, sou Flamengo. Em São Paulo, sou Santos. E em Goiás, torço pelo Goiás - disse.

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