O Globo, 17 de março de 2011 | 23h44
TEL AVIV - Arie Dubi, do Departamento de Engenharia Nuclear da Universidade Ben Gurion, em Israel, afirma que uma histeria coletiva foi criada em torno da indústria nuclear após o caso japonês. Segundo ele, a Humanidade entrará em decadência sem energia nuclear.
A mídia está superestimando a crise nos reatores em Fukushima?
ARIE DUBI: Sim. Uma coisa: quantas pessoas morreram por causa dos problemas nos reatores? Nenhuma. Quantas pessoas vão morrer? Muito poucas. Menos de 5% da quantidade das que morreram com o terremoto e o tsunami, e isso em 20 anos. O exagero, a "catástrofe", acontece na cabeça das pessoas, não na realidade. Não vai haver mais um Chernobyl.
Mas e a radiação?
DUBI: Há radiação, realmente. Mas radiação é parte da natureza, somos afetados o tempo todo. Ela pode também salvar vidas: milhões vivem hoje por causa dos tratamentos contra o câncer, mesmo recebendo muito mais radiação. Vejo um medo histérico em relação ao Japão. A catástrofe já aconteceu: terremoto e tsunami.
Mas não haverá mais vítimas afetadas?
DUBI: Imagino que, na pior hipótese, haverá 50 ou 100 casos de doenças nos próximos dez anos.
O senhor apontaria erros dos japoneses?
DUBI: Pelo que sei, não cometeram erros. Fizeram tudo certo, mas as circunstâncias são insuportáveis.
Mas quanto à lentidão nas tentativas de esfriamento das usinas?
DUBI: Quando uma usina nuclear falha, os técnicos precisam de eletricidade para esfriá-la. A hipótese é a de que sempre haverá eletricidade, ou de geradores ou de outras usinas. O problema é que, nesse caso, a tsunami estragou tanto os geradores como as outras usinas. E a rede elétrica também ficou debilitada. Pode ser que, se os japoneses esqueceram algo, foi de levar isso em consideração.
O senhor é contra a busca de outros tipos de fontes de energia que não a nuclear?
DUBI: Claro que não. Toda fonte alternativa de energia é benvinda. A solar é ótima, a eólica é excelente. O problema é que elas não são suficientes. Todas elas não nos darão mais de 30% da energia que precisamos. Neste momento, só a energia nuclear pode suprir a Humanidade.
