
Aracaju, 15 de outubro de 2026.
Os caminhos para garantir a sustentabilidade, a segurança regulatória e a modernização do setor elétrico foram o foco do painel “Energia para o futuro: como a engenharia está liderando a transição energética global”, realizado nesta quinta-feira (15) durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea).
O encontro, que aconteceu no Auditório Terra Caída, reuniu lideranças da regulação, da indústria e da consultoria especializada para debater o papel estratégico da engenharia na eficiência da matriz energética brasileira.
Regulação, planejamento e novos desafios da matriz
A moderação do debate ficou a cargo do presidente do Crea-RN, o engenheiro eletricista Roberto Wagner. Para ele, o setor elétrico enfrenta um momento decisivo, impulsionado por novas demandas tecnológicas e industriais. “Vivemos hoje uma tríade do presente por uma fome muito grande por energia, conexão e processamento. Isso nos abre demandas esplendorosas do ponto de vista de rede, da eficiência energética e da preparação dos profissionais para atender a essas necessidades”, defendeu Roberto Wagner, destacando o papel central do engenheiro na transição para uma economia descarbonizada.

No painel, um dos momentos mais esperado foi a apresentação da representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A assessora da diretoria colegiada da Aneel, Djane Melo, trouxe a visão da agência sobre o futuro energético do país. “O futuro do setor elétrico tem desafios mas isso são oportunidades – de negócios e de prestação de serviço. Isso exige um novo planejamento. O engenheiro do presente, que quer se manter no futuro, tem que saber o que é um bess [sigla em inglês para Battery Energy Storage System]. Em 10 anos a previsão é de R$ 600 bilhões de investimento em infraestrutura [no país]”, projetou Djane Melo.
Planejamento estratégico e soluções urbanas
A análise do planejamento de longo prazo foi aprofundada pela engenheira civil Juliana de Moraes Marreco de Freitas, doutora em Planejamento Energético pela UFRJ e sócia da PeoplEnergy Consulting. "Quando falamos de mobilidade falamos de descarbonização, em carros elétricos, em como atender esta nova demanda. [...] Nós temos um sistema de distribuição maior do que a Europa toda. Com os eventos extremos precisamos nos atualizar. [...] E problemas de engenharia são ótimos, porque nós engenheiros achamos soluções para elas", apontou a especialista.
A integração entre eficiência energética e cidades inteligentes foi abordada pelo engenheiro eletricista Igor Braga Martins, conselheiro do Crea-MG e colaborador da metodologia do Infra-BR. "A energia perpassa diversos eixos e desdobramentos. O Infra-BR está estadual, e vai para uma nova fase municipal. E aí a gente tem o eixo de energia e conectividade. [...] Isso vai ajudar muito na tomada de decisão dos gestores públicos. Ele tira o gestor do escuro", complementou.

Inovação industrial e competitividade
O impacto da transição energética na indústria e a redução das emissões de carbono foram apresentados pelo engenheiro eletricista Ricardo Formento, gestor do Centro de Negócios de Transição Energética da WEG.
Com mais de duas décadas de atuação no setor industrial, Formento detalhou que este segmento não para de evoluir. "Somos mais de 50 mil colaboradores e mais de 6 mil deles são engenheiros. Mais de 50% do faturamento da WEG estão relacionados a produtos lançados nos últimos cinco anos. Isso é inovação. A WEG investe anualmente de R$ 1,4 bilhão em investimento em pesquisa em 2025", ressaltou o gestor.

Ao reunir regulação, planejamento, cidades inteligentes e soluções da indústria de máquinas e equipamentos, a Soea reforça a liderança do Sistema Confea/Crea na formulação das grandes diretrizes para o desenvolvimento sustentável do Brasil.
Reportagem: Filipo Cunha (Crea-RN)
Edição: Julianna Curado (Confea)
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Sto Rei e DBrothers/Confea
Gestão de imagens: Paula Moreira (Confea)
