Nova campanha mostra caminhos e desafios para acesso a água e alimentos

Brasília, 11 de maio de 2026.               
Mesmo que ainda longe de serem considerados universais, água e alimentos se constituem conquistas que compõem o cotidiano de bilhões de pessoas em todo o mundo. Quase “naturalmente”. Por isso mesmo, fazem parte da campanha “Tudo é Engenharia: você confia sem perceber”, lançada pela Gerência de Comunicação do Confea. Evidenciando desigualdades sociais e regionais, o Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR) registra uma nota de 56.92 para a dimensão Água no país e de 55.30 para a dimensão Saneamento Básico, constatando os desafios que temos pela frente. O acesso à alimentação adequada se reflete na dimensão Bem-estar social e Cidadania (57.89).       
                
•    Segundo o IBGE (2024), 86,3% dos domicílios têm acesso à rede geral de abastecimento de água e 70% estão conectados à rede de esgoto. Nas áreas rurais, apenas um terço das residências conta com abastecimento por rede geral.               
•    A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) coordena a gestão integrada dos recursos hídricos e regula o acesso à água. Desde 2010, coordena o sistema de segurança de barragens. Desde 2020, também atua para harmonizar a regulação dos serviços de saneamento básico.               
•    O avanço e o retrocesso do ranking do saneamento básico brasileiro são apresentados anualmente pelo Instituto Trata Brasil.               
•    O consumo diário de alimentos no Brasil é estimado em centenas de milhares de toneladas de grãos/alimentos ao ano.               
•    Os dados do  ministério da Agricultura e Pecuária indicam uma produção em torno de 354 milhões de toneladas este ano no país.               
•    Café, arroz, feijão, pão francês e carnes (bovina e frango) estão entre os alimentos mais consumidos no Brasil, segundo dados do IBGE/Ministério da Saúde.               

O vídeo que vai ao ar a partir de hoje (confira abaixo) demonstra toda a malha de atividades responsáveis, sobretudo, pela logística e também pela própria produção dos alimentos e das bebidas, bem como o “caminho das águas”. Dos paladares mais triviais e pouco afetos a mudanças em suas rotinas aos apuros gastronômicos manipulados e temperados sob medida. Da água que prepara o café à que irriga ou higieniza os alimentos ou simplesmente mata a nossa sede. Do campo ao supermercado. Passando pelos frigoríferos, centrais de armazenamento e feiras e mercados. Em tudo isso que a gente confia sem perceber, está a tecnologia brasileira.

Custos e novos parâmetros               
Portanto, estamos bem servidos e aparelhados. No campo ou nas cidades. Mesmo que hoje pareça estranho não considerar os custos destes “bens” (e direitos), diante das ameaças de desabastecimento que surgem de vez em quando. A água, um bem natural, embora seu uso decorra da utilização de diversos eixos da Engenharia, como a Civil, a Agronomia, a Sanitária, a Hídrica, a Mecânica e a Elétrica. Os alimentos, principalmente no caso dos naturais, frutos do esforço consolidado das atuações da Agronomia, da Engenharia Agrícola, da Engenharia de Pesca, da Engenharia de Aquicultura, da Engenharia Florestal, da Engenharia de Produção e da Engenharia de Alimentos, sobretudo. Já os processados e ultraprocessados, contam ainda com as salvaguardas indispensáveis da Engenharia Química e da Engenharia de Alimentos.               

Hoje, apesar de toda a facilidade com que dispõe de água e de alimentos, a sociedade percebe cada vez mais que o fornecimento destes bens tem um custo. E bastante elevado. Também se mostra mais evidente a importância de outros atores do Sistema Confea/Crea para dimensioná-las, no atual contexto: as Geociências e a Meteorologia. Por motivos diferentes de antanho, em tempos de eventos climáticos extremos, ainda chama a atenção a quantidade de água sem sua distribuição coerente entre todos. Assim como chamam a atenção as temperaturas altas que logo podem se tornar uma ameaça ao equilíbrio “natural” do consumo desse elemento tão importante que é diretamente associado à própria condição do nosso planeta.  

água e alimentos


E consequentemente, uma ameaça também à produção de alimentos, que, apesar de todos os avanços tecnológicos, com alimentos sendo analisados em diversos aspectos bioquímicos e projetados para serem produzidos em estufas ou em ambientes que integram elementos naturais e artificiais, ainda não encontrou substituto para a velha mistura de duas partículas de hidrogênio por uma de oxigênio que constitui seu principal substrato. E busca também novas formas de superar outros desafios dos tempos de aquecimento global: da produção em si à preservação de nutrientes, do cafezinho à principal “commodity” do agronegócio, a soja. Mas claro, também envolve a agricultura familiar, responsável por grande parte da produção dos alimentos que vão à mesa do consumidor.               

Paralelamente a todas as engrenagens, mecanismos e construções necessários à distribuição de água para nossas casas, sítios, fazendas, apartamentos e demais tipos de unidades habitacionais que compõem os cenários urbano e rural brasileiros, estamos propensos a necessitar também das Geociências para entender as condições da sua extrapolação e da sua mitigação imprevistas no meio ambiente. Isso contribuiria para a constatação dos riscos e para a sua gestão, diante de adversidades que se tornam mais comuns. O mesmo se pode falar em relação à Meteorologia, cujos novos avanços podem torná-la ainda mais próxima da nossa realidade do que supomos agora com os avisos de tempestade ou outros eventos que, apesar da sua importância para evitar danos, nem sempre se efetivam propriamente. Sem a expectativa de que teremos novamente um El Niño pela frente, como poderíamos nos preparar, cada vez um pouco melhor, para desafios cujas barreiras estruturais tanto ainda temos a superar? 

 

Momento do vídeo da nova campanha institucional do Confea
Momento do vídeo da nova campanha institucional do Confea

 

Da fome, em dois tempos           
“O básico”. Água e alimentos são sempre tratados como elementos tão fundamentais para a existência humana que deveriam ser considerados “universais”. E assim buscaram assegurar os tratamentos legais nacionais, como a Constituição, e internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e ainda o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966) e a Declaração de Roma, aprovada na Cúpula Mundial da Alimentação, em 1996.

Ultrapassar um dos mais antigos e os novos desafios do planeta, o acesso à água e aos alimentos em tempos de aquecimento global e eventos extremos, dependeu, e depende cada vez mais, dos nossos engenhos tecnológicos. Referenciando-se historicamente de diversas maneiras, do romance “A Fome” (1890), do farmacêutico Rodolfo Teófilo, ao “Geografia da Fome” (1946), do geógrafo Josué de Castro, hoje a questão é tratada sob conceitos como Segurança Alimentar e Nutricional, abrangendo o acesso à água, e ainda Soberania Alimentar.  Ao mesmo tempo, pesquisadores tratam de agregar benefícios à saúde até mesmo em estruturas alimentares antes incompatíveis, como na tecnologia desenvolvida pela Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp), um exemplo entre vários. Os dados e conceitos a seguir são da doutora em Engenharia Ivette Luna, neste artigo.               

•    No Brasil, a alimentação foi incluída oficialmente no rol dos direitos sociais da Constituição Federal por meio da Emenda Constitucional nº 64/2010;               
•    Segurança alimentar: acesso pleno e regular aos alimentos;               
•    A FAO utiliza o Índice de Prevalência de Subalimentação (PoU) que mede o percentual da população que não consome calorias suficientes para uma vida ativa a longo prazo;              
•    Um país entra no Mapa da Fome quando a subalimentação crônica ou subnutrição (Índice PoU) atinge 2,5% ou mais da sua população.

Henrique Nunes              
Equipe de Comunicação do Confea

 

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