O olhar feminino na construção de um mundo sustentável

Manaus, 4 de dezembro de 2009.

Hoje (4), no contexto da 66ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia (Soeaa), foi realizado o 6º Fórum da Mulher, com o tema “O Olhar Feminino na Construção de um Mundo Sustentável”.  Abordando a relação mulher, ciência e sociedade, a coordenadora do Fórum e conselheira do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), téc. edif. Iracy Vieira Santos Silvano, afirmou que o objetivo do evento é trazer à tona, entre outras questões, as discussões sobre a igualdade de gêneros, a discriminação e a violência contra a mulher, tentando chegar a uma visão capaz de reverter esse diagnóstico. Segundo ela, o Fórum busca a valorização das características da mulher, além da promoção do desenvolvimento socioeconômico e ambiental.

As mulheres no Sistema Confea/Crea
A primeira palestrante, conselheira federal arq. e urb. Ângela Canabrava Buchmann  falou sobre a situação das mulheres no Sistema Confea/Crea. Segundo ela, a média nacional da participação feminina no Sistema é de 17%, tendo uma maior concentração na região sudeste e sul. O Fórum tem como objetivo discutir a forma de ver e fazer da mulher para construir um sistema profissional melhor, além de atuar junto à sociedade de forma diferenciada. Segundo ela, não se busca como mola propulsora a condição de inferioridade. “Pelo contrário, temos algo para contribuir, temos uma visão holística e tomamos cuidado com todas as questões que são relacionadas entre si”, afirmou ela, após citar o físico Frijot Capra.

A contribuição das mulheres para preservação do meio ambiente
A jornalista Daniela Assayag, que há quinze anos trabalha com a problemática ambiental, falou no fórum sobre como as mulheres de diversas profissões podem contribuir para que a sociedade desenvolva hábitos mais saudáveis e sustentáveis. Para ela, mesmo que a preservação do meio ambiente seja um compromisso de todos, as mulheres, em particular, têm muito a contribuir. “Por ser mais detalhista, a mulher consegue ver o problema de forma mais específica e, portanto, propor soluções nesse nível”, afirma Daniela. Ela ressalta ainda que, embora a educação dos filhos seja levada de forma cada vez mais compartilhada, anda é vista como um papel mais feminino. “Cabe à mulher formar cidadãos mais responsáveis, tanto por meio de exemplos, no dia a dia, como de orientações”.

A proximidade histórica da mulher com o meio ambiente
Doutora em Ciências Jurídicas, Rosângela Angelin falou sobre os aspectos que aproximam a mulher e o meio ambiente. Segundo ela, a proximidade da mulher com a natureza pode ser explicada pelo processo histórico da humanidade. Ela conta que antigamente havia uma relação de parceria entre os homens e as mulheres, sem guerras. Na era paleolítica e neolítica, as mulheres eram, inclusive, consideradas deusas devido à sua fertilidade. Em vez de uma sociedade patriarcal, havia o que se chama matrilinearidade (as mulheres conduziam a linhagem da família). Ela explicou como aconteceu essa inversão para se chegar a uma idade moderna, onde há uma sociedade de dominação tanto da natureza quanto da mulher e num ambiente em que as mulheres acabaram se tornando “supermulheres”, trabalhando dentro e fora de casa.

Para Angelin, que trabalha numa organização não-governamental (ONG) de agrônomas, é possível observar como é mais propício debater e cuidar do meio ambiente entre as mulheres, além de trazer essa temática para um evento como a Soeaa, em que o tema está estritamente relacionado à sustentabilidade e à ética.

A integração de equipes nas empresas
A pesquisadora Geralda Paulista, por sua vez, falou sobre o desenvolvimento e a integração de equipes, nas organizações. Ela fez uma demonstração do modelo psicológico-matemático Meta-Learning, que identifica o padrão de interação em equipes de trabalho. O modelo gera indicadores que subsidiam estratégias para melhorar o desempenho. Segundo Geralda, o processo é composto por duas fases: a primeira corresponde à tomada de consciência das dinâmicas que limitam as interações e a segunda refere-se à saída dessas dinâmicas limitantes. “A ideia é fazer com que as organizações ‘floresçam’, isto é, que sejam equipes um espaço de criatividade, inovação e cooperação”, ressalta Geralda.

Mariana Silva e Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea