Brasília, 5 de novembro de 2026.
A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou oficialmente a formação de dois tornados no Oeste catarinense na última quarta-feira (4), que atingiram os municípios de Chapecó e Xanxerê durante fortes tempestades. Com rajadas de até 126 km/h registradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Chapecó e ventos extremos identificados por radares meteorológicos, o fenômeno fez parte de uma sequência de temporais que já afetaram 98 municípios, com registros de danos e 23 cidades em situação de emergência. Conforme os boletins mais recentes do Governo do Estado, quase 4,8 mil residências foram danificadas.

A meteorologista da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) Maria Laura Rodrigues explica que os tornados estão associados a tempestades severas, favorecidas pela combinação de calor, umidade, instabilidade atmosférica e mudanças na velocidade e na direção dos ventos em diferentes altitudes. "Trata-se de uma nuvem em formato de funil que precisa estar associada a uma coluna de ar em rotação em contato com o solo para caracterizar um tornado. É um dos fenômenos meteorológicos mais destrutivos, com ventos de velocidades muito elevadas. Sua formação pode ocorrer rapidamente, em questão de minutos, e apresentar alto potencial de destruição", explica a presidente da Associação Catarinense de Meteorologia (ACMet) e uma das integrantes do Comitê de Gestão de Crise do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC).
A intensidade dos tornados é estimada a partir de levantamentos dos danos provocados e da velocidade dos ventos associada a esses estragos. Na escala Fujita, por exemplo, a classificação vai de F0 a F5. Quanto maior a categoria, maior o potencial destrutivo do fenômeno.
Conhecimento técnico à disposição da sociedade
Diante desse cenário, o Comitê de Gestão de Crise do Crea-SC está de prontidão. Os profissionais voluntários de engenharia, agronomia e geociências que integram o grupo aguardam eventual acionamento da Defesa Civil para prestar apoio técnico às localidades atingidas, conforme as necessidades identificadas pelo poder público, como informa o coordenador do comitê, engenheiro Jackson Jarzynski.
"O acionamento ocorre a partir da necessidade identificada pelo município: a Defesa Civil Municipal encaminha a demanda à Defesa Civil Estadual, que solicita o apoio técnico previsto no convênio com o Crea-SC. Os profissionais voluntários contribuem com vistorias, avaliações estruturais, identificação de riscos e elaboração de laudos e outros documentos técnicos, conforme suas atribuições profissionais e o apoio solicitado. Esse trabalho pode abranger edificações, pontes, estradas e outras infraestruturas atingidas", explica o coordenador.
Na fase de recuperação, a colaboração técnica acontece por meio de avaliações que ajudam o poder público a definir prioridades e orientar soluções mais seguras. "Na prevenção, essa contribuição pode envolver a identificação de vulnerabilidades, orientações técnicas e capacitação, em articulação com a Defesa Civil e os municípios. Os planos de trabalho devem ser definidos conforme as necessidades de cada localidade e as competências dos órgãos envolvidos", acrescenta Jackson.
Entre os profissionais voluntários que integram o comitê está a engenheira civil e de segurança do trabalho Fabiani Mezzari Marcon, que possui mais de 18 anos de experiência em avaliações imobiliárias e inspeções prediais. A especialista chama a atenção para a vulnerabilidade de construções com coberturas mal executadas, estruturas leves, galpões com grandes vãos e edificações que apresentam deficiências construtivas ou de manutenção. "Os ventos intensos podem arremessar telhas, vidros e outros materiais, causando danos às edificações. Além disso, as pessoas podem ser atingidas por esses objetos, sofrendo ferimentos graves e colocando suas vidas em risco", observa.
Fabiani também destaca que algumas características podem indicar comprometimento estrutural após a passagem de um tornado. "Os principais sinais são rachaduras significativas, inclinação de paredes, deformações em pilares e vigas, deslocamento de estruturas e danos expressivos nas coberturas", adverte. Por isso, antes de retornar ao imóvel, é fundamental verificar as condições de segurança. "Havendo suspeita de comprometimento estrutural, é necessário solicitar avaliação de um engenheiro habilitado e registrado e seguir as orientações da Defesa Civil", recomenda.

Prevenção e monitoramento
Em relação aos cuidados que a população deve adotar ao receber um alerta de tornado, Fabiani aconselha procurar imediatamente abrigo em uma edificação resistente, preferencialmente em cômodos internos, sem janelas e localizados no pavimento mais baixo. "Devem ser evitados ambientes com vidros, sacadas, áreas externas, galpões e estruturas leves. É importante proteger a cabeça e o pescoço e acompanhar as orientações da Defesa Civil", orienta a engenheira.
Maria Laura Rodrigues ressalta que o monitoramento meteorológico permite identificar, com antecedência, cenários favoráveis à ocorrência de eventos extremos. Segundo ela, ainda no outono, os especialistas já apontavam condições propícias para maiores volumes de chuva e maior incidência de tempestades intensas em Santa Catarina.
No curto prazo, os avisos meteorológicos podem indicar, com dois a três dias de antecedência, regiões e períodos com condições favoráveis à ocorrência de tempestades severas. Essas informações permitem que órgãos públicos e diferentes setores, como educação, saúde, comércio e segurança pública, se organizem para reduzir riscos e orientar a população.
A meteorologista ressalta, entretanto, que estar sob alerta não significa que o fenômeno necessariamente atingirá todos os municípios de uma região. O acompanhamento das informações meteorológicas e a preparação antecipada são fundamentais para que a sociedade saiba como agir diante de situações de risco.
Veja como receber alertas da Defesa Civil:
• Canal oficial no WhatsApp: acesse o canal da Defesa Civil de Santa Catarina
• SMS: envie seu CEP para o número 40199
• WhatsApp: envie seu CEP para (61) 2034-4611
• Site: https://www.defesacivil.sc.gov.br/alerta/
• Defesa Civil Alerta: sistema de alerta por Cell Broadcast, que envia mensagens diretamente aos celulares localizados em áreas de risco. Diferentemente do SMS, não é necessário fazer cadastro para receber as notificações
• Emergências: ligue 199
Fernanda Pimentel e Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea, com informações da Defesa Civil de Santa Catarina
