Rio de Janeiro, 23 de março de 2010.

João Roberto Viol, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultivas (Sinaenco), abriu o debate alertando sobre a necessidade de pensar
estrategicamente. "Queremos ser vitrine ou vidraça? Seremos vitrine, se após o mundial
deixarmos um legado urbanístico para a população. Seremos vidraça, se as cidades não conseguirem resolver problemas como, por exemplo, infraestrutura ineficiente dos aeroportos e falta de saneamento básico", questionou. "Deveríamos executar obras com o mínimo de pessoas possível. Até 2014 serão abertos muitos postos de trabalho, porém após esse período as oportunidades de emprego diminuirão bastante, com exceção do Rio de Janeiro que ainda sediará, em 2016, as Olimpíadas", completou.
O presidente do Sinaenco revelou os números que movimentaram o campeonato do esporte
mais popular do mundo. Na última Copa, realizada na Alemanha, 18 milhões de pessoas
assistiram aos jogos por telões públicos (Fan-Fest) e 30 milhões pela televisão. Os jogos renderam à FIFA cerca de 8,5 bilhões de euros. "Estima-se que 40 bilhões de pessoas assistirão aos jogos em 2014. Temos uma oportunidade única. Porém é preciso fazer um planejamento adequado. O Brasil não tem esse hábito. Planejar no Brasil é cumprir uma burocracia, é cumprir metas por lei. Um bom exemplo é o de Londres. Para realizar as Olimpíadas, em 2012, a cidade ficou mais de um ano fazendo o seu planejamento e este ano começaram os testes dos quipamentos", afirmou Viol.
A falta de planejamento foi apontada por Viol como o grande obstáculo no Brasil. Para ele, isso pode fazer com que algumas das 12 cidades, escolhidas para sediar a Copa, fiquem de fora caso não consigam cumprir as exigências da FIFA, entre elas a transformação dos entornos dos estádios para que os torcedores possam chegar tranquilamente, além de estacionamentos amplos, áreas para as emissoras de TV e para os patrocinadores. 
"Precisaremos construir somente um estádio novo, em Recife. Em Brasília, Salvador, Manaus e Natal será preciso reconstruir os estádios. E nas demais cidades serão necessárias várias reformas. De qualquer forma, poucas cidades formularam planos urbanísticos para os entornos que atendam a duas palavras fundamentais: acessibilidade e mobilidade", alertou Viol.
O presidente do Crea-RJ, Agostinho Guerreiro, que estava representando o vice-presidente do Confea, José Roberto Geraldine Junior, explicou o trabalho que o Sistema Confea/Crea e Mútua vem fazendo em parceria com o Ministério do Esporte. O convênio de cooperação técnica foi firmado em 2009 e estabelece que caberá aos 27 Conselhos Regionais organizar, por meio de edital, o recrutamento e cadastramento de profissionais interessados e legalmente habilitados para a prestação de serviços de emissão de laudos de vistoria de engenharia e laudos de estabilidade estrutural nos estádios de futebol, conforme determina a Portaria nº 124/07, do Ministério. "O Crea-RJ, por exemplo, promoveu um treinamento gratuito para 80 profissionais da área tecnológica".
Para Agostinho é essencial que o Brasil faça uma bom planejamento das obras a fim de conciliar qualidade e controle e, dessa forma, evitar a corrupção. "Organizar uma Copa do Mundo de Futebol é fazer planejamentos para cada cidade-sede em relação ao transporte coletivo, infraestrutura e equipamentos urbanos. Ninguém tem dúvida de que a Copa vai acontecer e será um grande espetáculo. Mas a que custo?”, questionou o presidente do Crea-RJ.
"75 anos Crea-RJ - A invenção de um novo tempo"

Melissa Ornelas
Assessoria de Comunicação do Confea
