Prazo, transparência e legado pós-Copa de 2014 são as principais preocupações em relação à realização do evento em Brasília

Brasília, 29 de março de 2011.

O presidente do Crea-DF, Francisco Machado, abriu a primeira audiência pública sobre a Copa de 2014 hoje, 29 de março, fazendo um alerta às autoridades presentes. “A Copa não se resume à reforma e à construção de estádios de futebol. O evento é muito mais amplo e exige planejamento global, unificado e integrado”, afirmou Machado. Segundo ele, há muitas dúvidas sobre quantos e quais empreendimentos estão sendo planejados para comportar o evento na Capital Federal e o prazo para concluir as obras é apertado. “Temos apenas cerca de dois anos. Estamos atrasados e o atraso gera encarecimento das obras”, ressaltou machado, lembrando que o que interessa de fato à sociedade, nesse processo, é a transferência e a convergência tecnológica, a inclusão social, a geração de empreendimentos e o legado pós-Copa. “Todos os projetos e programas deverão gerar sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida da população no que diz respeito à acessibilidade, à coleta de lixo, à segurança pública e à geração de energia”, ressaltou o presidente do Crea-DF.

Para Francisco Machado, a expectativa é que as audiências públicas, que serão realizadas pelo Sistema Confea/Crea e Mútua em todas as cidades que sediarão jogos em 2014, tenham resultado efetivo, reunindo entidades públicas e privadas da União, dos Estados e do DF para implementar estratégias e identificar os problemas. “Nosso foco é assessorar o Comitê Organizador Local, conferir mais transparência ao processo e possibilitar a fiscalização as ações, para que a realização da Copa no Brasil deixe um legado à sociedade e produza voluntariado e entusiasmo, sem os quais o evento não terá êxito”, afirmou.

Uma das autoridades presentes na mesa de abertura do evento, o ministro do Esporte, Orlando Silva. Segundo ele, as preocupações colocadas pelo presidente do Crea refletem as preocupações da sociedade brasileira. Ele elogiou a iniciativa do Sistema, ressaltando a importância dos mecanismos de controle social e de mobilização social, típicos do regime democrático. “Temos uma multiplicidade de interessados no processo de fiscalização: Tribunais de Contas, Ministério Público, parlamentos, além de sindicatos e corporações. Acredito na importância de iniciativas como essa e espero receber relatório com indicações no sentido de ajustar projetos, corrigir iniciativas e, dessa maneira, nos aproximar um pouco que seja do esforço e da expectativa que tem a sociedade brasileira”, afirmou.

Segundo o ministro, além das obras que estão sendo realizadas em 12 estádios,  há 7 intervenções em construção de terminais turísticos; 54 projetos de mobilidade urbana e 25 projetos em 13 aeroportos, nas cidades-sede. “Uma das oportunidades do prazo imposto pela Copa do Mundo é o de antecipar investimentos que mais cedo ou mais tarde o Brasil teria de realizar nas principais cidades do país, para melhorar a nossa infraestrutura”, ressaltou. Segundo ele, as áreas de engenharia e arquitetura são importantes no processo de coordenação desses esforços em prol da melhoria da infraestrutura urbana.

O Ministro também se disse preocupado com o prazo de realização dos empreendimentos e ressaltou que 70% das obras deverão começar ainda este ano, sob pena de não ser entregue à FIFA quando o Mundial chegar. “A presidenta Dilma pretende convocar Brasília para fazer o alerta. Ela me orientou para que façamos um balanço público a cada três meses, sobre o andamento de cada empreendimento”, afirmou Orlando Silva. “O objetivo é que a sociedade possa identificar a fase de maturação do projeto, as responsabilidades, para que possa elogiar os que caminham bem, e analisar os projetos que tenham um andamento inadequado”. Orlando Silva disse confiar na resultante das audiências públicas, que será importante para aperfeiçoar o processo.

O vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filipelli, também prestigiou a abertura do evento. Para ele, é importante ter em mente o que a Copa representa em termos de desafio, assim como em termos de legado, para Brasília, em particular. “Não há como deixar de falar das conseqüências da crise política que o DF tem enfrentado”, ressaltou o vice-governador, afirmando que o entusiasmo técnico suscitado pela realização da Copa na capital federal tem sido barrado por essas questões. Mesmo assim ele se mostrou otimista inclusive em relação a que Brasília seja a sede da abertura dos jogos. “Tenho certeza de que resultados importantes saíram desta audiência pública e tenho certeza de que o governador estará atento quanto às recomendações e a parceria que poderemos fazer”, ressaltou Filipelli.

O senador Marcelo Crivella, presidente da Frente Parlamentar pela Engenharia, elogiou a iniciativa do Sistema Confea/Crea.  “Ninguém melhor do que os engenheiros para apontar caminhos, atrasos, a qualidade dos serviços”, afirmou. Ele convidou os presentes para participarem das atividades do Senado. “Estamos discutindo no senado a Lei da Engenahria, importantíssima para a nossa profissão”, ressaltou.  Também participaram da mesa de abertura o deputado federal Izalci Lucas; o diretor de planejamento do Ministério do Turismo, José Augusto Falcão; os presidentes dos Creas do Mato Grosso, Tarciso Bassan; de Goiás, Gerson Taguatinga; do Mato Grosso do Sul, Jary de Castro e de São Paulo, José Tadeu da Silva.

Ética

Após a abertura do evento, houve dois painéis, ainda no período da manhã. O primeiro, apresentado por Caio Magri, gerente executivo de políticas públicas do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, tratou do projeto “Jogos Limpos Dentro e Fora do Campo”, do qual o Confea participa. Segundo Magri, para que a Copa tenha impacto positivo, é preciso que se observe três aspectos: transparência nos gastos públicos; integridade na relação entre o setor público e o setor privado e ampliação do controle social do Estado.
Em seu painel, ele apontou cinco estratégias a serem adotadas. A primeira refere-se a acordos setoriais na construção de pactos em setores como saúde, construção civil, energia e transporte.

“Somente a partir desse pacto, conseguiremos construir um legado para a sociedade que permaneça além da Copa de 2014. As outras estratégias referem-se, segundo Magri, à criação de indicadores de transparência, com informações que orientem os cidadãos e as organizações da sociedade civil para verificar a conduta dos gestores públicos. É necessário ainda, na perspectiva do projeto “Jogos Limpos Dentro e Fora dos Estádios, haver um pacto de transparência; controle social e mobilização da sociedade.

Infraestrutura

O segundo painel, sobre infraestrutura, contou com a participação do secretário de transportes do DF, José Walter Wazquez Filho, e do superintendente de estudos e projetos de engenharia da Infraero, Jonas Lopes. José Walter enfatizou os desafios, em termos de obras, que o setor viário e o setor de transportes estão preparando. Segundo ele, as obras no aeroporto de Brasília terão de ser “enfrentadas” independentemente da Copa do Mundo.

Wazquez mencionou uma série de obras com financiamento já previsto e que são parte do Plano Diretor. Entre elas, a Linha Amarela, integrando o Gama a Brasília, com previsão de custar R$ 731 milhões. Segundo Wazquez, essa obras já foi licitada e deve ter início este ano, com prazo de conclusão em 18 meses. Ele também mencionou a obra na DF 047, que liga o aeroporto à Asa Sul, orçada em R$ 170 milhões, e cujo processo de licitação deve começar no segundo semestre. Ele também mencionou o VLT, como uma obra fundamental para o sistema de transporte e para o resgate urbano da W3 Sul, obra foi orçada em U$ 1 bilhão. Além das obras com financiamento já previsto, o secretário estima a necessidade de R$ 4,6 bilhões em financiamento de obras estruturantes necessárias para viabilizar a nova concepção do transporte coletivo no Distrito Federal.

No segundo painel, Jonas Lopes mostrou as mudanças que estão sendo planejadas no aeroporto Juscelino Kubitschek, de Brasília, ressaltando a perspectiva de que ele se torne o segundo maior aeroporto do país, em movimento operacional (hoje é o terceiro, atrás de Guarulhos e Congonhas). “Temos muito potencial para alcançar essa meta nos próximos dois ou três anos”, afirmou. Segundo ele, no ano passado houve 14,3 milhões de passageiros em Brasília, que é caracterizado coma um aeroporto de distribuição de vôos domésticos. “Temos uma boa perspectiva de Brasília se transformar também num centro de distribuição de vôos internacionais”. A Audiência pública continua no período da tarde, com a realização de outros três painéis: Estádio Nacional de Brasília; Legado e Voluntariado e Controle e Fiscalização.
Veja o cronograma do projeto “Confea/Crea em Campo”.

Mariana Silva
Assessoria de comunicação do Confea