G1, 23 de março de 2011 | 11h43
O diretor presidente da Eletrobrás Termonuclear (Eletronuclear), Othon Pinheiro, defendeu nesta quarta-feira (23), ao participar de audiência pública no Senado, a geração de energia nuclear no Brasil. Apesar de reconhecer os riscos deste tipo de energia, ele afirmou que o país precisa de todas as formas de energia. "Nós precisamos de toda forma de energia. Cada uma tem sua importância e deve ter seu quinhão de participação", disse.
Segundo Pinheiro, o Brasil não pode depender apenas da energia hidrelétrica. Ele afirmou que este tipo de energia depende dos estoques de água e está sujeita a questionamentos ambientais. Sobre as energias éolica e solar, ele afirmou que são importantes e devem ser utilizadas, mas não "resolvem o problema de fornecimento de energia".
Para Pinheiro, desde que tomadas todas as medidas de segurança, não haveria problema na utilização de energia nuclear no Brasil. Questionado sobre a segurança da energia nuclear, ele afirmou que "fazemos tudo para que seja 100% seguro, mas não existe nada no mundo 100% seguro".
O uso de energia nuclear no Brasil passou a ser questionado após o terremoto e tsunami que atingiram o Japão no dia 11 de março. A usina atômica de Fukushima, a 240 km de Tóquio, sofreu explosões em decorrência do terremoto, o sistema de refrigeração entrou em colapso e os reatores liberaram radioatividade na atmosfera. Pinheiro afirmou que "o importante agora é aprender o máximo possível com os recentes incidentes no Japão".
O Brasil possui duas usinas nucleares em funcionamento - Angra 1 e Angra 2 - que respondem por menos de 3% da geração de energia no país, segundo Pinheiro. Há projetos para a construção da usina de Angra 3. Pinheiro afirmou que as usinas de Angra 1 e Angra 2 cumprem todos os requisitos de segurança e que há planos de evacuação da população que vive proxima às usinas em caso de acidente nuclear.
O diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão de Energia Nuclear, Laécio Antonio Vinhas, que também participou da audiência pública, afirmou que a probabilidade de acidentes nas usinas de Angra 1 e Angra 2 "é extremamente reduzida".
Rejeitos nucleares
Durante a audiência, Pinheiro afirmou que a Eletronuclear estuda depositar rejeitos de combustível das usinas nucleares do país em cápsulas de aço inoxidável que seriam abrigadas em cavernas por 500 anos. Segundo ele, não há justificativa econômica para fazer a reciclagem deste material, pois há muita oferta de urânio no Brasil.
Pinheiro disse acreditar quer não haverá problemas para encontrar municípios dispostos a receber os rejeitos, pois a Eletronuclear vai explicar e provar a segurança do sistema.
Câmara
O diretor presidente da Eletronuclear também participou nesta quarta de debate na Câmara dos Deputados com integrantes da Frente Parlamentar Ambientalista. Ele voltou a defender a utilização de energia nuclear no Brasil. Segundo ele, as usinas nucleares são importantes para aumentar a oferta de energia.
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, também participou do debate. Ele disse aos deputados que o governo não deveria abrir mão da produção de energia nuclear no Brasil por causa do acidente ocorrido no Japão.
