Programa pretende dobrar número de engenheiros até 2015

Brasília, 23 de setembro de 2010

O presidente do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia e ex-reitor da Universidade de São Paulo (USP), Roberto Lobo, apresentou aos conselheiros federais, na tarde desta quinta-feira (23/9) o Programa Pró-Engenharia, que visa dobrar o número de engenheiros até 2015.

Atualmente, o Brasil forma 30 mil engenheiros por ano, número bastante inferior em relação aos outros países do BRIC (A Índia forma 120 mil, Rússia, 220 mil e China, 350 mil). O Programa Pró-Engenharia foi elaborado por um Grupo de Trabalho da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do MEC – Ministério da Educação. Conforme cálculos do Grupo, do qual Lobo faz parte, para manter um nível de crescimento a 7%, o Brasil precisa, em 2015, formar cerca de 62 mil engenheiros anualmente.

De acordo com a apresentação, os fatos de os cursos de engenharia serem geralmente caros e exigir muita dedicação são os principais motivos do baixo índice de formação de engenheiros no Brasil. A consequência desse fato são gargalos como baixo índice de publicações e de patentes. “Patentes significam mais do que uma forma de ganhar dinheiro e encorajar a criatividade. As patentes são bons indicadores da capacidade de geração de novas invenções. Elas medem a capacidade de inovação de um país em determinada área”, afirmou Lobo.

Por esses motivos, o Brasil não é destaque no mercado de exportação tecnológica. “60% dos produtos exportados são de média e alta tecnologia. O Brasil se destaca em commodities, mas esse setor ocupa apenas 13% do mercado internacional. Por esse motivo levei à Capes o projeto de dobrar o número de engenheiros até 2015”, completou.

Lobo ressaltou também uma questão ainda mais profunda. “O que me preocupa mais é que o Brasil tem um problema cultural muito sério: a área tecnológica é desvalorizada no país”, defendeu. Segundo ele, há um estereótipo de que os engenheiros são “um pessoal quadrado”, como definiu. “É como se não tivéssemos sensibilidade, apenas por sermos termos estudado uma ciência mais racional”, disse. “Mas a engenharia mistura uma pouco de criação, arte e ciência”, completou.

Pró-Engenharia
Para dobrar o número de engenheiros que se formam ao ano Brasil, há algumas ações previstas no programa. Uma delas é a oferta de bolsa para instituições de ensino superior nas áreas tecnológicas. Outra fase do programa prevê projetos de inovação logo no início dos cursos, para que o universitário não demore tanto tempo para ter contato com a parte prática da profissão.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea