Projeto do Estádio de Brasília para a Copa foi abordado em evento promovido pelo Confea/Crea

Brasília, 29 de março de 2011

O arquiteto projetista do Estádio Nacional de Brasília, local selecionado para hospedar jogos da Copa do Mundo de 2014, foi um dos palestrantes da Audiência Pública promovida pelo Confea/Crea, que visou, nesta terça-feira (29/3), debater com profissionais e sociedade sobre as obras da Copa do Mundo. Na ocasião, o arquiteto Eduardo de Castro Mello apresentou imagens do projeto, que terá traços modernistas típicos da capital federal, e explicou sobre suas fundamentações. "A inspiração para o partido arquitetônico adotado foi o que Brasília já tem no Eixo Monumental: palácios contruídos por Oscar Niemeyer. Adotamos essa filosofia para o grande projeto do estádio de Brasília", explicou Mello.

O projeto do estádio apresentado, que deve comportar 70 mil pessoas nas arquibancadas, prevê estacionamento com "capacidades mais do que suficiente para o atendimento de todo o estádio", defendeu Mello. Na proposta, o autódromo localizado próximo ao estádio também funcionará como estacionamento. "No entanto, a preferência da organização do evento é sempre que o público venha de transporte público", explicou. Mello complementou que também haverá bicicletários, que, inclusive, ajudam a contar pontos para a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Painéis fotovoltaicos para captação de energia solar e sistema de captação da água de chuvas para reuso são outras duas ações citadas por Mello para atribuir sustentabilidade à edificação. Além disso, o projeto prevê a inclusão de um hospital de campanha nos entornos do estádio, além de quatro heliportos. "Se a ideia é hospedar a abertura, temos que ter segurança à altura para receber 50 chefes de Estado", disse.

O presidente da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), Maurício Canovas, acredita que Brasília será a cidade escolhida para abertura do evento. "As possibilidades de Brasília receber a abertura são grandes e reais. Nós temos todas as condições de atendimento às delegações estrangeiras, condições de acessibilidade, etc", disse. Para ele, os benefícios de hospedar a abertura da Copa são muito grandes. "O mundo inteiro assiste à abertura da Copa do Mundo, todos os continentes. Temos interesse em divulgar Brasília. A abertura e o estádio trarão benefícios para a cidade em termos de marketing, de futuros eventos, etc", afirmou. De acordo com ele, a expectativa é de receber cerca de oito jogos ou mais da Copa em Brasília e de hospedar a Copa das Confederações. "O empenho do Governo do Distrito Federal é esse: que Brasília hospede a abertura dos jogos", completou.

Andamento das obras
A Novacap realizou apresentação sobre o andamento das obras do estádio, com imagens que acompanharam cronologicamente a evolução do empreendimento. De acordo com o relatório, as escavações iniciaram-se em setembro e, com um período chuvoso que limitou as obras, em março 60% da escavação necessária já foi realizada, volume que permite que outros serviços, como concreto, já se iniciem. De acordo com a apresentação, até o último sábado (26/3), 13 mil m3 de concreto já estava levantado, o que corresponde a ¼ do total. Já a fundação já tem quase 90% concluído. De acordo com a Novacap, durante a obra, está sendo feita a reciclagem dos entulhos.

O presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento do Distrito Federal (IAB-DF), Paulo Paranhos, questionou a apresentação. "Não estou questionando o projeto do colega, mas sim, o que significa esse estádio em Brasília. Esses equipamentos que construímos estão indo ao encontro do que queremos? Ao encontro do estádio que queremos manter para sempre?", disse. "Essas perguntas têm que ser feitas, sim. Quero ter liberdade de compartilhar essas perguntas, para poder ser porta-voz da sociedade de Brasília. Brasília nasce como projeto de nação. E hoje, precisamos construir um estádio de 70 mil pessoas para nosso futuro? É um bom momento para termos esse bate-bola". O presidente do IAB teme uma "mega-construção", que depois pode ser tornar um "elefante branco".

Ao final das discussões, o arquiteto Márcio Villas Boas apresentou o projeto para o Centro Olímpico da Universidade de Brasília (UnB), do qual é autor, que serviu de ilustração para os debates. "Chamamos nosso projeto de revitalização do Centro Olímpico. Nosso princípio básico é não destruir nada, apenas construir coisas novas", afirmou. De acordo com Villas Boas, o Centro Olímpico representa sustentabilidade, qualidade ambiental, economia de energia e acessibilidade.

Beatriz Leal
Assessoria de Comunicação do Confea