Brasília, 5 de dezembro de 2008
Ética profissional e inclusão social foram os temas desenvolvidos pela arquiteta e urbanista Alexandra Reschke, secretária de Patrimônio da União, em sua participação na WEC 2008, que se encerra hoje (5), em Brasília.
Sobre o desenvolvimento sustentável, a secretária discorda do padrão americano de construções de cidades e que é praticado no Brasil. "Esse tipo de construção é inviável em relação ao custo e à sustentabilidade", afirma. Sugere, então, exemplos como o de Vancouver, no Canadá, que criou lotes reservando áreas para habitação de baixa renda. "Lá, é possível encontrar em um mesmo prédio apartamentos das classes A e B, com tamanhos diferentes mas iguais condições de conforto",disse.
Ainda no mesmo contexto, na hora de se fazer projetos de shoppings, casas, prédios, seja qual for a destinação do imóvel, ela acha importante levar em consideração a ética. "E o que é ética? É tudo aquilo que não agrida ou cause dano ao outro". Segundo Reschke, o modelo atual é excludente, não dá as mesmas garantias de direitos a todos.
Ela criticou os projetos de moradias populares, que normalmente são construídas em terrenos mais afastados dos centros, são todas iguais e mal acabadas. "Por que a moradia popular não pode ser bonita como a música popular brasileira? Para que manter esse tipo de projeto que além de feio, não é barato?", questiona.
Quanto a essa situação, ela vê possibilidades de mudanças, principalmente com a recente aprovação no Senado do projeto de lei que assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social, do deputado Zezéu Ribeiro (PT/BA). Se sancionado pelo presidente da República, "a lei possibilitará arquitetos e engenheiros operarem mudanças no setor de habitação popular com mais qualidade e sustentabilidade", destaca.
Para construção de cidades sustentáveis e com menos violência sob vários pontos de vista, Alexandra diz que os profissionais (arquiteto ou engenheiro) devem conversar mais com o cliente, dar alternativas para os projetos, seja do setor público ou privado. Ela também vê nas ecovilas uma boa saída para os problemas das cidades. "Não aquelas de hippies ou coisa assim, mas como possibilidade de construção de uma comunidade integrada e sustentável", conclui.
Aryana Aragão
Equipe de Comunicação do Confea
