Rio de Janeiro: Catástrofe já era esperada, diz presidente do Crea-RJ

Rio de Janeiro, 7 de abril de 2010.

Clique aqui para ouvir a entrevista com o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro, Agostinho Guerreiro.

Tempo do áudio 2min31

LOC/REPÓRTER: O Rio de Janeiro acordou debaixo d'água nessa terça-feira. Bairros e ruas da capital fluminense amanheceram completamente alagados. A cidade parou. A ponto de o prefeito Eduardo Paes pedir que a população permanecesse em suas casas. Pelo menos noventa pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, não chovia tanto assim, desde mil novecentos e sessenta e dois. O volume de chuva registrado bateu o recorde de mil novecentos e sessenta e seis, quando a cidade sofreu catástrofe semelhante, com inundações e deslizamentos de terra. Mas para o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro, Agostinho Guerreiro, o caos já era esperado. De acordo com o engenheiro, a falta de investimentos e a ocupação desordenada do solo apontavam para essa tragédia anunciada.

TEC/SONORA: presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro – Agostinho Guerreiro
"Há pelo menos vinte e cinco, trinta anos, as administrações municipais e estaduais, que passaram pelo estado do Rio, pelo município do Rio de Janeiro, não deram prioridade à prevenção das enchentes, a primeira questão é essa. A questão da habitação também foi relegada a um plano absolutamente secundário, e, com a falta de moradias dignas, as pessoas mais pobres foram morar em áreas de risco. Há mais de trinta anos, que quase todos os anos os técnicos ligados ao Sistema Confea/Crea, e mesmo de outras áreas, se reúnem, apresentam suas críticas, as suas propostas. Não é por falta de propostas e por falta de conhecimento técnico. "

LOC/REPÓRTER: Segundo Agostinho Guerreiro, apenas o monitoramento das chuvas não é suficiente para prevenção.

TEC/SONORA: presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro – Agostinho Guerreiro
"A solução não está em saber se a chuva vai chegar ou não. O que precisa efetivamente é a combinação de muito mais obras de drenagem, de canalização, de limpeza e monitoramento permanente das regiões por onde devem escoar essas águas da chuva."

LOC/REPÓRTER: O presidente do Crea do Rio de Janeiro alerta, ainda, que outras catástrofes provocadas pela chuva podem se repetir, caso não sejam feitos os investimentos necessários e urgentes.

Reportagem, Francisco Júnior
Da Agência do Rádio