Samuel Pinheiro Guimarães destaca papel de engenheiros no desenvolvimento do país

Brasília, 17 de novembro de 2010.

O ministro de Estado Chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Samuel Pinheiro Guimarães, falou hoje, durante a solenidade de abertura da 2ª etapa do 7º Congresso Nacional de Profissionais do Sistema Confea/Crea, sobre o papel dos engenheiros no desenvolvimento do país.

“O desenvolvimento é uma questão relativa. Nenhum país é desenvolvido ou subdesenvolvido isoladamente”, disse. Segundo ele, existe a necessidade de comparação com outros países para classificar dessa maneira. “Então, sabemos que o Brasil é um país subdesenvolvido devido a diversas características, por exemplo, sua economia”.

De acordo com ele, o processo de desenvolvimento significa a melhor utilização dos fatores de produção (recursos naturais e capital). “Nesse processo, só temos conhecimento de cerca de 30% dos recursos naturais do subsolo brasileiro”. Além disso, existe no país o problema da mão de obra. “Quando meditamos sobre o número de pessoas que recebem o bolsa família, verificamos que essa mão de obra, essas pessoas naturalmente tem uma baixa capacitação profissional, com uma renda menor. É uma situação muito grave”, ressaltou. Ainda, segundo o ministro, existe um problema do baixo nível de geração de conhecimento, medido pelo índice de patentes registrados a cada ano no país.

Segundo Samuel Pinheiro, o processo de desenvolvimento é um desafio extraordinário que depende da ampliação da capacidade produtiva em todos os setores. “O aumento da produção de um país depende do aumento de sua capacidade instalada, claro que utilizada, não ociosa. Para isso, é indispensável a atividade dos engenheiros. Não conheço nenhum aumento de produção causado por diplomata ou economista”, brincou, lembrando que tem as duas formações.

O número de profissionais da área tecnológica, de acordo com ele, determina, de certa forma, o aumento da capacidade produtiva. “Se não tivermos um crescimento no nível de 7% ao ano, na minha opinião, significa que daqui uns 10 anos teremos uma renda per capita maior do que hoje, porém a distância que nos separa atualmente dos países desenvolvidos, estará ainda maior”. Por isso, em sua opinião, é necessário um número muito maior de engenheiros, sendo de grande urgência treinar os engenheiros para a demanda atual. “No passado, muitos engenheiros, por causa das baixas taxas de crescimento, não puderam exercer suas profissões. É preciso retreiná-los e é necessário formar novos engenheiros”.

Por outro lado, ele acredita que não basta apenas investir na formação profissional de nível técnico, tecnológico ou superior, mas no ensino de matemática nas escolas. “Não há engenharia sem matemática. Então é necessário o fortalecimento desse ensino nas escolas. Essa é uma questão relacionada à formação de professores e, naturalmente, à sua remuneração”, advertiu. Nesse contexto, afirmando tratar-se de uma visão heterodoxa - numa comparação com os “olheiros” do futebol -, destacou que é necessário identificar os jovens com maior habilidade, maior aptidão para a matemática e fortalecer o ensino especificamente para eles.

Encerrou a apresentação dizendo ser indispensável um programa de formação integrado para engenheiros a fim de promover o aumento da capacidade instalada em todos os setores relacionados à infraestrutura. “Sem essas pessoas não haverá esse aumento e nós continuaremos crescendo a níveis inferiores ao necessário”, concluiu.

Tânia Carolina Machado
Assessoria de Comunicação do Confea