Eduardo Laguna – Valor, 21 de março de 2011 | 18H41
SÃO PAULO – O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Gary Locke, disse hoje que o ambiente de negócios no Brasil ainda impõe “obstáculos substanciais” a empresas que desejam investir no país.
Durante evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), o secretário criticou as dificuldades enfrentadas por empresas americanas com a lentidão em alfândegas e os gargalos em infraestrutura, além da pesada carga tributária e o complexo sistema legal brasileiro.
Fora isso, citou que ainda há dúvidas sobre o compromisso do Brasil em apoiar a inovação, por meio de um fortalecimento nas regras de proteção à propriedade intelectual.
“Esperamos que o governo brasileiro continue em seus esforços para construir um ambiente de negócios mais transparente, com um marco regulatório mais consistente”, assinalou Locke durante um discurso de cerca de 15 minutos na Amcham.
O secretário esteve reunido hoje em São Paulo com executivos de multinacionais americanas instaladas no Brasil e ouviu deles reclamações sobre as dificuldades em escoar mercadorias pelos portos brasileiros, como os obstáculos relacionados à infraestrutura de logística e lentidão causada pela burocracia alfandegária.
Durante entrevista a jornalistas, Locke citou a máxima de que “tempo é dinheiro”, ao dizer que esses problemas têm pressionado os custos das empresas americanas.
O secretário de Comércio americano comentou que a infraestrutura no Brasil é um ponto que terá que receber atenção nos próximos anos. Ele lembrou que o governo brasileiro deverá realizar investimentos robustos no sistema aeroportuário, tendo-se em vista, sobretudo, a realização no Brasil da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Nesse sentido, Locke afirmou que as empresas americanas podem ajudar a custear os investimentos via parcerias com o setor público, aproveitando a expertise em setores, como construção, engenharia, logística e segurança de aeroportos.
Apesar de algumas críticas, o secretário fez elogios à situação econômica do Brasil e à forma como o país conseguiu superar rapidamente a crise financeira global, cravando um crescimento de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado.
Locke - que acompanhou a comitiva de Barack Obama em Brasília e no Rio de Janeiro - repetiu a intenção do governo dos Estados Unidos em dar ao Brasil a mesma importância dada à Índia e à China.
Disse também que o governo americano tem trabalhado para assegurar que o Brasil receba o reconhecimento e o tratamento adequados na economia global, apoiando o fortalecimento do papel do país no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Mundial (Bird).
(Eduardo Laguna | Valor)
