Um consenso sobre a inovação tecnológica no Brasil

Wellington Freire* - O Globo, 15 de fevereiro de 2011 | 16h38

Artigo do leitor RIO - Observando a criatividade dos comerciantes da favela de Heliópolis, em São Paulo, para atender as necessidades de abastecimento dos seus moradores, a revista britânica "The Economist" disse, em reportagem publicada no final do ano passado, que o Brasil poderia buscar inspiração nas suas favelas para criar produtos e negócios mais inovadores para o seu mercado interno.

A constatação da revista feita a partir de Heliópolis - uma das poucas favelas do país a receber a visita dos dois principais candidatos a presidente da República na última campanha eleitoral - revela não apenas as características demográficas particulares desse espaço urbano, como também muito da sua condição emblemática em relação ao Brasil. Enquanto o governo continuar a considerar os habitantes das favelas mais reféns de bandidos e vítimas potenciais do que empreendedores promissores, as empresas vão continuar a ignorá-los.

Apesar do sucesso internacional da economia brasileira, as nossas empresas estão fazendo bem menos do que suas rivais da Índia e da China (falando apenas dos BRICs) para dominar a arte de produzir mercadorias baratas para as massas. Se produtos e serviços inteligentes para os mais pobres enchem as prateleiras das lojas hoje no país, a quase totalidade é pensada e produzida no exterior, especialmente na China.

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