Brasília, 20 de julho de 2009.
As conquistas das mulheres brasileiras a partir da década de setenta demonstram a importância dos movimentos feministas e grupos de mulheres atuando no país. Foi com muita discussão e empenho que elas conseguiram colocar na pauta do legislativo e da sociedade as suas reivindicações. Com isso, foi possível chamar a atenção do Estado para especificidade da condição feminina e necessidade de criação de políticas públicas voltadas para o enfrentamento e superação das privações, discriminações e opressões vivenciadas pelas mulheres. Mesmo assim, a condição da mulher ainda hoje não é confortável, falta muito a conquistar. Sabendo disso, o Grupo de Trabalho Mulher do Confea/Crea realizará nos próximos dias 30 e 31, em Salvador, seu 1º Fórum Temático.
O GT Mulher Confea/Crea se mobiliza há mais de dois anos para discutir formas de inclusão da mulher no mercado de trabalho e em cargos de liderança e para promover sua valorização. No Fórum serão abordados temas como a contribuição da mulher para um mundo mais justo, os movimentos sociais e o fomento à participação das mulheres nas instâncias de poder e decisão, educação para mulheres negras, a mulher e soberania alimentar, entre outros. Os temas são de caráter nacional, mas levam em consideração, especialmente, a realidade da mulher negra baiana.
No que se refere à educação, a coordenadora do GT Mulher Crea-BA, Maria Higina, defende uma educação diferenciada para os gêneros. “A mulher é constantemente exposta a situações as quais é imprescindível um conhecimento sociológico mais aprofundado para lidar com elas”, diz Higina. Em sua opinião, a responsabilidade na construção do caráter dos filhos é maior para mãe, pois é nela que os filhos se apóiam para lidar com problemas como droga, violência e sexualidade, por isso, ela precisa se preparar bem para esses desafios.
Quanto à ascensão das mulheres aos cargos de liderança, a fundadora da ONG cultural “A Mulherada” e ex-superintendente de Políticas Públicas para as Mulheres de Salvador, Mônica Kalile, palestrante convidada para o Fórum, diz que ainda é muito difícil para uma mulher assumir um cargo de liderança e isso se agrava se ela for negra. Ela ressalta que sentiu na pele essa dificuldade, pois quando se fala em revolução feminista, embora seja um movimento da época da escravidão, as pessoas só se lembram das mulheres brancas das classes média e alta. “Mas a luta das mulheres negras data de muito tempo, quando elas, cansadas de serem escravizadas, iam para as ruas vender acarajé e outros quitutes para poder comprar a liberdade dos filhos”, completa Kalile.
Kalile destaca a iniciativa do GT Mulher como uma oportunidade de mudar paradigmas em relação à mulher, além de despertar na juventude o interesse pela política pública, capaz de vencer preconceitos gerados, ao longo da nossa história, em torno da mulher negra.
Outro tema discutido no evento será o papel da mulher na soberania alimentar. Tanto a coordenadora Higina quando a palestrante Cintia Armond concordam que a mulher, enquanto matriarca da família, são fundamentais no que diz respeito à soberania alimentar. “Foi a mulher quem inventou a soberania alimentar, importante para garantir a existência. Ninguém melhor que nós para discutirmos seus rumos”, diz Higina. O objetivo da discussão é garantir a viabilidade econômica da agricultura familiar e a sustentabilidade ambiental do país.
O Fórum será realizado na sede do Crea – BA. Clique aqui para ver a programação completa.
Aryana Aragão
Assessoria de Comunicação do Confea
