São Paulo, 24 de agosto de 2009.
PARLAMENTARES
O deputado federal Roberto Santiago (PV-SP), relator do projeto do piso salarial dos técnicos foi um dos mais esperados da noite, principalmente quando afirmou que em seu projeto irá propor o valor de R$1.940, como desejado pela categoria. Outro grande momento foi o pronunciamento do senador Gerson Camata, PMDB-ES, autor da lei que instituiu 2009 como o ano nacional do ensino técnico e também definiu o dia 23 de setembro como o dia dos profissionais de nível técnico. Defensor dos profissionais de nível técnico o senador comemorou com a platéia uma grande vitória obtida naquele dia no Senado Federal. Segundo ele, a Casa abriu 200 vagas para estagiários universitários e ele indagou: por quê não para os técnicos também? E as vagas foram divididas: 100 para estagiários e 100 para técnicos.
PALESTRAS
Uma das palestras mais esperadas, a do administrador de empresas e consultor de RH Max Gehringer, trouxe informações indispensáveis aos profissionais. De forma descontraída e, em alguns momentos, visivelmente emocionado, Gehringer contou divertidas histórias, falando de suas experiências particulares profissionais e familiares. O palestrante surpreendeu a todos ao revelar que também é Técnico em Contabilidade, enfatizando a importância da formação profissional, como início de carreira para os jovens. “Faltam técnicos, existem centenas de vagas que precisam ser preenchidas e, nem sempre, um curso superior é garantia de emprego. Os jovens não podem se deixar enganar, pensando que pulando o curso técnico estarão economizando tempo”, alertou.
Oportunidade de avançar
Outro momento emocionante do X CONSIG ficou por conta do senador Gerson Camata (PMDB-ES), grande batalhador pelas causas dos técnicos, relatou um encontro do atual governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, em Dubai – Índia, com uma jovem capixaba, que estudou na Escola Técnica São Mateus e que revelou, com muito orgulho, que há três anos trabalhava na roça e graça ao curso, hoje, era uma técnica. “São situações como esta que demonstram que ser técnico representa a oportunidade de avançar e mostrar que o Brasil precisa de profissionais deste porte”, destacou. Para as lideranças da categoria, principalmente Wilson Wanderlei Vieira, anfitrião do evento, a presença do senador foi importante porque deu a oportunidade de solicitarem sua intermediação, junto ao Ministério da Educação, para que os técnicos voltem a ter permissão de dar aulas práticas, medida extinta há alguns anos, que está implicando em consequências negativas para a boa formação dos novos técnicos. O senador Camata acatou a sugestão e se comprometeu a agendar, em breve, uma reunião com o ministro da Educação, Fernando Haddad e representantes da FENTEC e SINTECs.
Formação de uma Câmara de Técnicos no Crea-SP
A histórica presença dos Creas no cotidiano dos técnicos não pode ser esquecida e o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo - Crea-SP, José Tadeu da Silva, tratou de falar um pouco sobre a participação da classe técnica na entidade, destacando que hoje existem 4,6 mil técnicos adimplentes com o Crea-SP, entretanto, a categoria possui apenas nove representantes num universo de mais de 200 pessoas que integram as câmaras.
Uma sugestão de José Tadeu foi formar uma Câmara de Técnicos no Crea-SP, para que os profissionais possam julgar seus pares, o que entusiasmou os participantes do X CONSIG. “Desde 2006, quando iniciei minha gestão, sempre tive pelo menos um técnico na minha diretoria, pois tenho plena consciência de que precisamos de tecnologia e consequentemente de mais técnicos” observou. As palavras de José Tadeu motivaram alguns dos participantes a revelarem problemas com os Creas e, inclusive, a pedirem apoio para que eventuais discordâncias sejam sanadas.
Outro importante tema abordado pelo presidente do Crea-SP foi a lei 11.888/08, que diz respeito à prestação de assistência técnica gratuita a famílias de baixa renda para a construção de moradias. A Lei, que inclui os técnicos na construção de moradias de até 80 metros quadrados, prevê que os honorários sejam pagos por órgãos públicos.
O conselheiro federal Lino Gilberto da Silva, que representou o presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, ressaltou a importância de eventos que abordam a educação profissional tecnológica e que permitem o resgate da história dos técnicos. “Um ponto de destaque, além da organização, foi o nível das palestras, como a abordagem feita, e de forma tão clara, sobre o mercado de trabalho para a categoria”, observou.
Número de matrículas no Ensino Técnico brasileiro está aquém do ideal
Na sequência da exposição de temas, o professor Almério Melquíades de Araújo, coordenador de Ensino Técnico do Centro Paula Souza, apresentou as diferentes experiências do Ensino Técnico Articulado com o Ensino Médio, oportunidade em que apresentou números relevantes do ensino Técnico brasileiro, em especial em São Paulo, e de países como Argentina, Portugal e Chile, que se assemelham no PIB per capita. “Não se cresce baseado em um modelo único, por mais bem sucedido que seja, sendo assim, a pesquisa apresentada é no sentido de melhorar a pontaria em relação aos nossos objetivos”, destacou. Segundo Araújo, enquanto o Chile possui 38% de matrículas no Ensino Técnico, a Argentina 20% e Portugal quer atingir 50%, o Brasil amarga apenas 7%. “A oferta do Ensino Técnico em São Paulo vem crescendo nos últimos anos, mas está aquém, pois a demanda pela formação técnica é muito grande. Nos últimos três anos, o Centro Paula Souza, ampliou em quase em 50% a oferta, entretanto, a demanda continuou, não houve redução, ou seja, hoje não podemos dizer que triplicar é a solução, pois não foi possível reduzir a exclusão. Precisamos reverter a cultura de que escola boa é aquela que exclui muito, em que há um certo orgulho por parte de diretores”, destacou.
“A crise já passou e o futuro é otimista”
As perspectivas da economia brasileira foi o tema abordado pelo economista e ex-ministro da Fazenda, no período de 1988/1990, Maílson da Nóbrega, palestra que rendeu uma longa interação entre o convidado e os técnicos. Durante sua abordagem, Maílson enfatizou que o pior da crise econômica que atingiu todo o mundo já passou no Brasil, graças ao sistema financeiro sólido e sofisticado do País. Também fez previsões para 2010, apontando recuperação e forte crescimento da economia, com inflação abaixo da meta, possibilidade de queda de juros e crédito normalizado. “O futuro é otimista, principalmente com a democracia consolidada, instituições econômicas fortes e governo sob controle”, destacou.
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Assessoria de Comunicação do Confea
Com colaboração do Departamento de Comunicação do Sintec-SP
