A caminho do Infra-BR: Índice da Infraestrutura brasileira

 

 

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Reunião para a consolidação das primeiras iniciativas relacionadas ao Infra-BR: expertise dos profissionais do Sistema integrada à dos especialistas responsáveis pelo Índice de Progresso Social - IPS
Dois momentos da reunião para a consolidação das primeiras iniciativas relacionadas ao Infra-BR: expertise dos profissionais do Sistema integrada à dos especialistas responsáveis pelo Índice de Progresso Social - IPS Brasil

 

 

Brasília, 14 de março de 2026.

As etapas para a construção do Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR) ultrapassaram a simples sistematização de alguns dos 57 indicadores presentes no IPS Brasil, produzindo um material com o rigor científico necessário a uma parametrização tão rigorosa, cuja importância para a construção de políticas públicas eficientes foi destacada pela cientista política Telma Hoyler, em entrevista ao Confea

“Um índice de infraestrutura organiza informações dispersas em uma estrutura coerente, permitindo comparar territórios e identificar onde estão as maiores vulnerabilidades, mas um índice nunca faz nada sozinho e precisa ser lido à luz de um contexto mais geral e informado sobre o funcionamento de políticas públicas. Ao combinar indicadores de acesso, qualidade e desempenho, um índice pode ajudar a diferenciar investimentos urgentes daqueles que podem ser planejados no médio prazo”, sustentou.

 

Melissa Wilm, coordenadora do IPS-Brasil e uma das responsáveis pelo Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), ao lado do conselheiro federal Osmar Barros Junior, integrante da Comissão de Monitoramento e Avaliação do termo de colaboração entre o Confea e o CEA
Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil e uma das responsáveis pelo Índice Confea de Infraestrutura do Brasil (Infra-BR), ao lado do conselheiro federal Osmar Barros Junior, integrante da Comissão de Monitoramento e Avaliação do termo de colaboração entre o Confea e o CEA

 

Apenas alguns meses antes, em dezembro do ano passado, Telma e outros especialistas responsáveis pela coordenação do Índice de Progresso Social (IPS Brasil), que serviu como uma das referências para a construção do Infra-BR, participaram da primeira reunião com os gestores do termo de colaboração da entidade junto ao Confea. As duas entidades foram responsáveis pela definição da grade de indicadores, que passará a ser publicada anualmente a partir desta segunda-feira (16/3).

Com as participações dos conselheiros federais Osmar Barros Junior e Paulo Pinho (integrantes da Comissão de Monitoramento e Avaliação do termo de colaboração entre o Confea e o CEA - Centro de Empreendedorismo da Amazônia, uma das organizações idealizadoras do IPS Brasil, do também membro da comissão Bruno de Lima e de Alexandre Borsato (gestor do termo), foram apresentados na live os primeiros resultados elaborados pela equipe da entidade parceira. “Depois, faríamos alguns outros encontros virtuais, onde passamos de 150 indicadores aos 67 indicadores que acabaram constituindo o Infra-BR”, descreve Borsato.

 

Live entre os realizadores do Infra-BR, em dezembro do ano passado
Live entre os realizadores do Infra-BR, em dezembro do ano passado

 

Segundo manifestou ao início da reunião a coordenadora do IPS Brasil, Melissa Wilm, o Infra-BR tem uma capilaridade em nível estadual, de forma distinta do Índice de Progresso Social. “Primeiro, vamos olhar para os estados e depois, com base nas experiências e aprendizados, vamos começar a olhar para os municípios.  Vamos elaborar o Infra-BR esse ano e atualizá-lo nos próximos dois anos. Nosso maior esforço são os referenciais teóricos, a base de dados, qual o grande esqueleto que a gente tem”, dizia, naquela reunião. 

Referências bibliográficas, “benchmarks”, ASCE (American Society of Civil Engineer, entidade de classe norte-americana que foi uma das referências iniciais do Infra-BR) e todas as bases de dados que poderiam ajudar a definir a metodologia a ser aplicada seriam analisadas, reunindo elementos iniciais para uma discussão concluída já nos primeiros meses de 2026 com as definições de sua grade de indicadores, dimensões e componentes a serem abordados, bem como seus pesos e aplicações estatísticas.

Como resultado final, estarão ainda disponíveis no site do Infra-BR aspectos sobre o cálculo do Índice (tratamento preliminar dos dados; categorização de indicadores específicos; definição de limites e normalização; validação estatística e agregação final) e outras ponderações necessárias sobre a metodologia aplicada. “Acreditamos na transparência total, e isso inclui reconhecer as limitações inerentes a qualquer índice composto. É crucial que você compreenda essas nuances para uma interpretação correta dos resultados. Em cada uma das dimensões do Infra-BR, enfrentamos desafios relacionados à disponibilidade e padronização dos dados. Por essas razões, recomendamos que os resultados do Infra-BR sejam interpretados como aproximações da situação estrutural e utilizados como ferramenta diagnóstica, sempre complementados por análises qualitativas, estudos setoriais e informações locais”. 

Importância dos indicadores
Responsável pela análise conceitual do Infra-BR, a cientista política Telma Hoyler descreveu a importância da construção de indicadores para subsidiar políticas públicas, sobretudo desde a virada do milênio. Assim, ela desenvolveu uma base conceitual abrangendo o conceito de infraestrutura adotado pelo Índice, sua necessidade e o papel das políticas públicas baseadas em dados (evidência). As referências nacionais e internacionais, a estrutura do índice (dimensões, componentes e indicadores), bem como a metodologia de cálculo e a descrição da forma de interpretar os resultados também foram tratados.

A cientista política Telma Hoyler explica a importância dos índices para a evolução das políticas públicas brasileiras
A cientista política Telma Hoyler explica a importância dos índices para a evolução das políticas públicas brasileiras

“Foi no começo de 2000 que começaram a ser apresentadas bases públicas mais sofisticadas sobre políticas de desenvolvimento com essa função de operacionalizar conceitos abstratos. Hoje a gente fala em políticas públicas baseadas em evidências, que é o que está em debate em relação a determinado tema”, disse, apresentando papeis, critérios de escolha e tipos de indicadores, apresentando o Infra-BR como qualificado em um Indicador-Resultado e possivelmente um Indicador-Impacto, sua consequência de longo prazo. “Daí o desafio de entender o quanto à melhora do indicador foi fruto da melhora específica naquele indicador, pois outras coisas podem estar influenciando”.

Em relação aos dados coligidos inicialmente, Telma declarou que o grupo “ficou muito contente com a quantidade e a confiabilidade desses dados encontrados no país”. Como critérios de escolha dos indicadores, a pesquisadora apontou: relevância temática para a questão avaliada; fonte pública e confiável; mensuração de resultados e documentação metodológica; dados recentes (<=5anos) e com atualidade; cobertura geográfica compatível e comparabilidade temporal garantida.

Ao ponderar os riscos envolvidos com a prática, Telma Hoyler considerou desafios como a possibilidade de transmitir mensagens de política pública enganosas, se eles forem mal construídos ou mal interpretados, além de induzir a conclusões excessivamente simplificadas para a formulação de políticas e de poderem ser utilizados de forma indevida, ocultando falhas em algumas dimensões, inviabilizando identificar ações corretivas adequadas ou levando ainda à adoção de políticas inadequadas, se dimensões com desempenho difíceis de mensurar forem ignoradas. 

“Se a gente coloca, por exemplo, resiliência ou sustentabilidade ambiental apenas em um pilar, alguém pode pensar que os demais campos estejam bons. Por isso, a gente pode pensar em incluir a sustentabilidade de forma transversal em todos os pilares”, disse, abordando ainda visões sobre o conceito de infraestrutura e referências internacionais sobre indicadores de infraestrutura, incluindo ênfases como infraestrutura social e sustentável. “Estamos fazendo uma mistura de tudo isso, mas precisamos refinar um pouco mais essa definição de infraestrutura”.

Especialista em dados Gabriel Oliveira: primeiros indicadores reunidos superaram a marca de 130, sendo reduzidos pela metade à época da primeira reunião sistematizadora
Especialista em dados Gabriel Oliveira: primeiros números superaram a marca de 150 indicadores, sendo reduzidos à época da primeira reunião sistematizadora

O especialista em dados Gabriel Oliveira complementou as informações, apresentando um panorama de então da grade de indicadores disponível. Envolvendo seis dimensões, algumas diferentes daquelas que ficariam ao final das discussões do Infra-BR, meses depois, foram reunidos inicialmente 138 indicadores, a maior parte relacionados à dimensão Mobilidade (61). Na sequência, vieram Meio Ambiente e Sustentabilidade (25), Social (20), Água e Saneamento (12), Energia (10) e Governança e Eficiência (10). Fruto de análises complementares, o número foi então reduzido para 92 indicadores, após o primeiro filtro (revisão geral, indicadores estratégicos, indicadores inaceitáveis e seleção final) e expandido para 152, após o segundo filtro, apresentado pelo professor Ricardo Chaves (UFPE) e consultor do IPS Brasil, que havia apresentado os primeiros aspectos do Índice durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea). 

Um novo filtro novamente reduziria o material, agora para 65 indicadores. “Entre idas e vindas, como disse o Gabriel, ficamos com 65, o que é razoável, mas acredito que precisaremos da validação do Confea. Acredito que esteja mais ou menos bem distribuído, mas com o olhar da Engenharia poderemos reduzir um pouco mais. A partir daí é estatística, normatizar e, por último, são duas métricas de análise: o KMO (Kaiser Meyer-Olkin), que mede a correlação entre o grupo de indicadores, e o (coeficiente estatístico usado para medir a consistência interna de um instrumento de pesquisa) Alfa de Cronbach, que identifica um entre quatro indicadores, por exemplo, que não represente. Temos que conversar com vocês. Acredito que eles estejam bem distribuídos, temos elementos para fazer a nossa análise. Agora, tendo o olhar da engenharia, faremos essa validação. Mas mesmo depois de bater o martelo com vocês, a estatística pode exigir sua retirada”, informou Ricardo, em um momento em que ainda havia dois indicadores a menos que a versão final aprovada pelos coordenadores.

Transversalidade e formatos 
Dá para imaginar a preocupação dos jovens Arthur Leardini e Alanna Berdine, responsáveis pelo desenvolvimento do site do Infra-BR, com base no questionamento: “Como as pessoas consomem dados de infraestrutura hoje?”. Apresentando o “benchmark” para criar um portal com experiências que atendem os usuários quanto à infraestrutura “e, do ponto de vista técnico, que forneça insumos para os demais pesquisadores poderem aprofundar com base nesse desenho do Infra”, Arthur destacou que a análise teve por base os principais portais nacionais (Adapta Brasil, IDSC, IBGE Cidades) e internacionais (ASCE, Banco Mundial, OCDE).

Desenvolvimento do site foi conduzido por Alanna Berdine (foto) e Arthur Leardini
Desenvolvimento do site foi conduzido por Alanna Berdine e Arthur Leardini
Desenvolvimento do site foi conduzido por Alanna Berdine (foto ao lado) e Arthur Leardini 

Alanna comentou o alinhamento entre todos os participantes e revelou que a busca por boas práticas para aplicar no Infra-BR ainda seria aperfeiçoada com as contribuições entre eles. “Um índice de metodologia forte, narrativa coesa transversalmente e apresentação acessível”, favorecendo a navegabilidade, a definição do conceito de infraestrutura e ainda a transparência e a governabilidade por meio da exportabilidade dos dados e previsibilidade de atualização, seria o principal interesse apresentado pelos desenvolvedores. 

Entre os “achados” estão a pouca integração entre dimensões sociais, ambientais e de governança; o forte foco em logística e transportes, água e energia de forma isolada; as visualizações e dados valiosos, mas dispersos entre diferentes instituições e em granularidades diferentes e a ausência de uma plataforma única que consolide infraestrutura de forma holística e em nível estadual no Brasil. “Há abertura para apresentar o Índice de forma transversal”, relatou Allana.

Dados como a taxa de rejeição e as visitas mensais foram relatados em relação a cada site analisado. “O site da OCDE é pesquisado por áreas temáticas, sem um aprofundamento nas regiões em relação à infraestrutura. Tem diversas formas de visualização, o que atende a diferentes públicos. Falta também essa integração da infraestrutura em diversas dimensões”, acrescentou, apresentando pontos altos e baixos e, como próximos passos, a estruturação da jornada do usuário e da arquitetura da informação. 

Nasce o Infra-BR
Sobre o resultado final do site, o gestor Alexandre Borsato considera: “Buscamos a premissa orientada a dados que sempre nos norteia. Se temos dificuldades em coletar dados das mais diversas fontes, buscamos inverter essa lógica na construção do Infra-BR e facilitar a vida daqueles que querem fazer bom uso dos dados, permitindo que sejam baixados em formatos simples de manipular, como por exemplo o CSV. Isso reforça o compromisso com a transparência e o conceito de dados abertos, tão difundido na administração pública atual”.

Gestor do termo de colaboração entre o e o Confea, Alexandre Borsato apresentou suas expectativas e saudou a estrutura apresentada
Gestor do termo de colaboração entre o CEA e o Confea, Alexandre Borsato apresentou suas expectativas e saudou a estrutura mostrada

O próprio site define que o Infra-BR, “em sua essência, é um índice composto que agrega múltiplos indicadores individuais para produzir uma medida sintética de um tema complexo. Ele foi concebido para avaliar sistematicamente o desempenho da infraestrutura nas unidades da federação, indo além da simples contagem de obras ou extensão de redes. Nossa abordagem é multidimensional, organizada em uma arquitetura clara: dimensões, componentes e indicadores. Essa estrutura nos permite analisar temas complexos de forma organizada, garantindo que o índice final reflita tanto as áreas incorporadas quanto as que, porventura, ficaram de fora do escopo”.

Ele descreve que “a qualidade do Infra-BR depende diretamente da qualidade e pertinência dos seus indicadores. Por isso, a escolha desses dados segue critérios rigorosos:

•    Fontes públicas e confiáveis: priorizamos dados provenientes de instituições reconhecidas e de acesso público, garantindo a rastreabilidade e a verificação. 

•    Boa qualidade da informação: avaliamos a consistência, a precisão e a integridade dos dados para assegurar sua robustez. 

•    Cobertura geográfica compatível: buscamos indicadores que permitam comparações justas entre diferentes regiões e unidades federativas. 

•    Comparabilidade temporal: é fundamental que os dados permitam a análise de tendências a o longo do tempo, para que possamos monitorar o progresso e identificar desafios persistentes”.

E ainda informa que “o processo fundamenta-se no mapeamento e na extração de variáveis em repositórios oficiais, onde registros administrativos e microdados são consolidados em um ambiente único. Essa etapa inclui a verificação da cobertura e integridade das séries temporais, ajustando os indicadores para que estejam disponíveis de forma equânime”.

O IPS Brasil e a força dos dados

Vale a pena ressaltar a importância dos indicadores, incluindo o Índice de Progresso Social (IPS). Em geral, os objetivos dessa ferramenta referem-se a um processo administrativo que envolve a prévia identificação de problemas, a avaliação do sucesso das atividades e o direcionamento de recursos para superar suas limitações. Resumindo mais ainda, os indicadores nos ajudam a conhecer (diagnosticar) e analisar (monitorar e avaliar) um determinado foco da realidade. Alguns antecipam políticas públicas, outros constatam suas eficácias. 

Investimentos em infraestrutura estão diretamente associados ao crescimento do Produto Interno Bruto, ou seja, ao crescimento econômico. Conforme outros objetivos do Estado se projetem, somos levados a investigar os mais diversos cenários. O IPCA e a PNAD Contínua, por exemplo, refletem, respectivamente, a inflação e a taxa de desemprego. A aferição das desigualdades sociais, por exemplo, costuma ser a principal preocupação de indicadores sociais como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Gini, considerados as principais métricas para avaliar a qualidade de vida e a desigualdade na distribuição de renda, respectivamente.

 

Participantes analisam possibilidades de uso do site do Infra-BR
Participantes analisam possibilidades de uso do site do Infra-BR


Já o Índice de Progresso Social (IPS), vem sendo desenvolvido internacionalmente desde 2014 pela organização Social Progress Imperative (SPI), em 170 países, com o objetivo de medir o desempenho social e ambiental desses territórios, sem a inclusão de indicadores econômicos e referenciando o planejamento, a avaliação e o aperfeiçoamento das políticas públicas e ainda os investimentos sociais privados por meio de seus impactos reais (resultados finalísticos, e não esforços realizados ou investimentos). O índice foi fomentado durante 10 anos pelo desenvolvimento do IPS Amazônia, por meio do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), atingindo todo o país a partir de 2024, por meio do IPS Brasil. Atualizado anualmente, ele abrange os 5.570 municípios brasileiros.

•    Em 2025, o IPS reuniu 57 indicadores sociais e ambientais provenientes de fontes públicas e de institutos de pesquisa. 

•    Os indicadores foram reunidos em um índice geral com nota de 0 a 100 e em três dimensões do progresso social: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

•    Tais dimensões são formadas por 12 componentes: nutrição e cuidados médicos básicos; água e saneamento; moradia; segurança pessoal; acesso ao conhecimento básico; acesso à informação e comunicação; saúde e bem-estar; qualidade do meio ambiente; direitos individuais; liberdades individuais e de escolha; inclusão social e acesso à educação superior. 

•    Em uma escala de 0 a 100, o Brasil atingiu uma pontuação média de 61,96. O pior resultado foi na dimensão Oportunidades (46,07). A dimensão Fundamentos do Bem-Estar atingiu 65.02, enquanto a Necessidades Humanas Básicas chegou a 74,79.

“O IPS Brasil tem como objetivo avaliar a qualidade de vida no Brasil de forma multidimensional, medindo resultados socioambientais e não apenas infraestrutura ou insumos. Desse índice retiramos as técnicas estatísticas de mensuração dos indicadores e o olhar integrado sobre dimensões. Também procuramos replicar desse índice interface com filtros intuitivos, mapas comparáveis e scorecards rápidos e relatórios que interpretem dados e gerem insights acionáveis”, descreve o Relatório Metodológico do Infra-Br.


 

Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea

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