Brasília, 8 de setembro de 2026.
A degradação dos diversos tipos de plásticos deve ser não apenas um compromisso individual, mas também da indústria. Essa foi uma das declarações do pioneiro pesquisador Richard Thompson em entrevista ao Jornal da Unicamp, durante a realização da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) em Microplásticos”, evento realizado ao longo de duas semanas até a próxima sexta-feira (11/9), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), reunindo 125 pesquisadores de 35 países. Há 20 anos, o biólogo marinho cunhou o termo “nanoplásticos”, apresentando uma série de demonstrações da sua universalidade, ao longo desse período. O Confea está produzindo uma série de reportagens sobre o tema.
“Soluções para a poluição por partículas pequenas dependem, em grande medida, de mudanças no desenvolvimento no ciclo de vida de todos os produtos plásticos”, comentou. Assim, complementa, é necessário incentivar a responsabilidade industrial, atribuindo selos e outras formas de reconhecimento a produtos sustentáveis e desenvolvendo políticas públicas que respaldem e valorizem essa produção. “Não podemos depender do mercado livre para criar produtos que sejam automaticamente seguros para a sociedade e o ambiente. Por isso, políticas públicas são necessárias para estimular a inovação, estabelecer critérios de segurança e sustentabilidade e evitar que empresas que investem em produtos mais responsáveis sejam prejudicadas pela concorrência de alternativas mais baratas e menos sustentáveis”.

Assim, é preciso enfrentar essa poluição por meio da adaptação proativa e reativa. Segundo ele, a estratégia para uma reação efetiva ao problema passa pelo desenvolvimento de produtos mais seguros e sustentáveis, capazes de reduzir os impactos quando deixam de ser utilizados e começam a ser degradados. “Não basta esperar que as pessoas mudem seus hábitos, enquanto produtos continuam sendo fabricados sem considerar adequadamente seus impactos futuros. Soluções para a poluição por partículas pequenas dependem, em grande medida, de mudanças no desenvolvimento e no ciclo de vida de todos os produtos plásticos”.
O diretor do Instituto Marinho de Plymouth, na Inglaterra, considerou ainda a importância do trabalho interdisciplinar para buscar enfrentar a problemática de uma degradação que chega tanto ao oceano, quanto ao próprio ar que respiramos. Em um evento que busca incentivar o conhecimento científico para as novas gerações de pesquisadores, Thompson enalteceu a diversidade encontrada na Unicamp. “Questões ambientais complexas exigem a integração de áreas como química, biologia, ciências ambientais e ciências sociais. Espaços que permitam essa interação, como o da Universidade, contribuem para a formação de comunidades científicas mais atuantes e para a busca de soluções inovadoras”, descreve.
Henrique Nunes
Equipe de Comunicação do Confea
Com informações do Jornal da Unicamp
