Neto Zampier diz na 81ª Soea que erros não definem trajetórias

Aracaju, 15 de outubro de 2026

O ex-zagueiro Helio Zampier Neto, o Neto Zampier, participou, na manhã desta quinta-feira (15/10), da 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), em Aracaju (SE), com uma palestra sobre resiliência. Sobrevivente do acidente aéreo da Chapecoense, que matou 71 pessoas em 2016, ele avisou ao público que a proposta era outra. “Não vim para motivar ninguém, a motivação do jeito que vem, vai embora. Vim trazer transformação, que é um movimento contínuo”, afirmou.

Zampier contou que nasceu na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, e que foi reprovado em testes de vários clubes cariocas na adolescência. Aos 18 anos, ouviu que estava velho para virar jogador. Estreou no profissional pelo Francisco Beltrão (PR). Passou pelo Paraná Clube, onde pensou em desistir, e pelo Vasco, que o dispensou depois de seis meses sem que ele disputasse uma partida.

Em dado momento, deixou o futebol para cuidar da família. Voltou após incentivo do pai e da esposa e chegou ao Guarani, em Campinas (SP), onde passou de plateias de 200 pessoas a estádios com 15 mil. Em 2012, depois de se recuperar de uma lesão grave, disputou a final do Campeonato Paulista contra o Santos de Neymar. Meses depois, foi contratado pelo próprio Santos.

O erro como ponto de partida

Um dos eixos da palestra foi a relação com o erro. Zampier lembrou que falhou em uma final e perdeu, segundo ele, o melhor contrato da carreira. Citou também um pênalti desperdiçado no Santos, que o levou a treinar cobranças três vezes por semana na Chapecoense. “O erro não define quem você é; é o que você faz com ele”, resumiu. Ele estendeu o raciocínio a outras áreas, como a engenharia e a agronomia, e defendeu que reconhecer a falha, pedir desculpas e identificar a própria dificuldade, técnica ou comportamental é o caminho para evoluir.

Outro ponto foi a rotina de treino. Zampier disse que ficava 15 minutos a mais após cada sessão e que, somados ao longo dos meses e anos, esses minutos fazem diferença. Na Chapecoense, a ausência de estrutura, que incluía a falta de academia e de refeitório, foi compensada, segundo ele, pelo empenho coletivo. “Não é a camisa que faz você ser grande, são as pessoas”, disse. Como exemplo, citou um gol de bicicleta contra o Vasco no Campeonato Brasileiro de 2015, dez anos depois de ser dispensado pelo clube.

A tragédia e a reconstrução

Erros humanos, de novo eles, causaram a queda do avião em 2016. O ex-zagueiro relatou o acidente em tom contido. Disse que o avião perdeu potência e que a queda ocorreu em três minutos. Foi resgatado entre seis e oito horas depois, com pulmão perfurado, coluna e joelhos gravemente feridos. Lembrou dos companheiros que morreram e disse que, se soubesse do que aconteceria, teria dado um abraço em cada um.

Depois do acidente, deixou os gramados, formou-se em teologia, passou a atuar como palestrante e escreveu o livro Posso crer no amanhã: relato de superação e esperança de Neto, sobrevivente da Chapecoense. Também foi diretor da Chapecoense, que conquistou o título da Série B e o estadual no período. Cristão, atribuiu à fé a sensação de ter ganhado uma segunda chance, mas ressaltou que não se considera melhor do que ninguém. “Eu não sou melhor do que ninguém que se foi, nem do que ninguém que está aqui”, declarou.

Reconhecimento no dia a dia

Perto do fim da exposição, Zampier propôs uma dinâmica. Pediu que cada pessoa abraçasse, por um minuto e dez segundos, colegas que fazem diferença em sua rotina de trabalho. Também sugeriu que os presentes enviassem mensagens a familiares e amigos que os apoiaram. “No melhor momento vai ter muita gente do teu lado, no pior vão ser poucos, mas o suficiente”, afirmou. Ao encerrar, deixou a frase que deu nome à palestra: “Não permitam que quem não tem compromisso com a sua história defina o seu futuro”.

Reportagem: Beatriz Leal Craveiro (Confea)
Edição: Beatriz Leal Craveiro (Confea)
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Sto Rei e DBrothers/Confea