Aracaju, 16 de outubro de 2026
Na tarde da sexta-feira, (16), a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), realizada em Aracaju (SE), recebeu o painel “Patologia das construções aplicadas à durabilidade das construções”, que reuniu especialistas para discutir técnicas de inspeção, diagnóstico, manutenção e preservação do desempenho das edificações.
Mediado pelo engenheiro civil Daniel Diniz, vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (Crea-SE), o painel contou com a participação dos especialistas Felipe Lima, Leonardo Medina Rosário, Matheus Leoni e Edson Pereira. Ao longo das apresentações, os palestrantes compartilharam experiências profissionais e abordaram os desafios relacionados à identificação de manifestações patológicas, à prevenção de danos e à adoção de soluções técnicas que contribuam para a durabilidade das construções.
Inspeção como ponto de partida para a manutenção
A primeira apresentação foi conduzida pelo engenheiro civil Felipe Lima, especialista e consultor em patologia das construções. Ao compartilhar fotografias registradas durante viagens à Itália e à Turquia, o especialista demonstrou como seu olhar técnico identificou fissuras em museus e edifícios. Os registros ilustraram a importância de observar sinais de deterioração que podem passar despercebidos no cotidiano, mas que merecem avaliação profissional.

Durante a exposição, Felipe destacou a relação entre inspeção e manutenção ao afirmar que “manutenção começa com a inspeção”. A partir dessa reflexão, abordou o ciclo de vida das edificações e a necessidade de acompanhar suas condições ao longo do tempo, identificando problemas e fundamentando as decisões de intervenção.
O engenheiro também apresentou cinco funções fundamentais de um laudo técnico: responder aos questionamentos, registrar as condições identificadas, fundamentar as conclusões, resguardar as partes envolvidas e comunicar os resultados. A abordagem ressaltou a importância da documentação técnica para orientar decisões e conferir clareza aos processos de avaliação das construções.
Conhecimento, habilidade e atitude na prática profissional
Na sequência, o engenheiro civil Leonardo Medina Rosário, especialista em engenharia predial, patologia e diagnóstico de construções, estruturas de concreto, perícias de engenharia e ensaios não destrutivos, conduziu uma reflexão sobre a competência profissional.
Para introduzir o tema, utilizou o conceito de CHA, sigla que representa conhecimento, habilidade e atitude, três elementos que, articulados, contribuem para o exercício responsável da engenharia. A dinâmica destacou que o domínio teórico precisa estar acompanhado da capacidade de aplicar conhecimentos e tomar decisões adequadas diante das situações encontradas na prática profissional.

Leonardo também apresentou um caso divulgado na imprensa sobre a condenação de um condomínio por danos morais em razão do descumprimento de normas técnicas. Ao comentar o exemplo, chamou a atenção para os riscos de desconsiderar requisitos técnicos e para as possíveis consequências jurídicas dessa conduta.
A apresentação reforçou a importância de observar as normas aplicáveis, manter registros adequados e adotar critérios técnicos nas atividades de construção, manutenção e gestão de edificações.
Fachadas e identificação das manifestações patológicas
O terceiro palestrante, o engenheiro civil Matheus Leoni, mestre em Estruturas e Construção Civil pela Universidade de Brasília (UnB), abordou os fatores que influenciam a degradação das fachadas e os procedimentos necessários para investigar suas causas.
O especialista destacou a importância da anamnese, da análise documental e do levantamento do histórico da edificação como etapas fundamentais para compreender as condições do sistema construtivo. Também discutiu a periodicidade das ações de inspeção e apresentou uma referência internacional relacionada às práticas adotadas em Singapura, mencionando intervalos de avaliação de edificações.

Durante a apresentação, Matheus demonstrou diferentes tipos de fissuras e discutiu os fatores que podem comprometer o desempenho dos revestimentos, com atenção especial aos desafios relacionados às fachadas aderidas.
A exposição ressaltou que a identificação visual de fissuras e outras manifestações constitui uma etapa da investigação, mas precisa ser acompanhada de análise técnica para determinar suas possíveis causas, avaliar a extensão dos problemas e orientar as medidas corretivas mais adequadas.
Moçambique e os desafios diante dos desastres naturais
Encerrando a sequência de apresentações, o arquiteto e urbanista moçambicano Edson Pereira abordou a patologia das construções aplicada à durabilidade das edificações, com foco na relação entre manifestações patológicas, preservação do desempenho e adaptação dos edifícios.
Durante sua fala, Edson destacou o contexto de Moçambique diante dos desastres naturais, trazendo ao debate os desafios relacionados à resiliência das construções e à necessidade de preparar as cidades e as edificações para situações de risco e recuperação após eventos extremos.

Especialista em patologia das construções, Edson possui mais de dez anos de experiência em projetos internacionais e atuação junto à ONU-Habitat na coordenação e gestão de programas de desenvolvimento urbano e resiliência. Sua trajetória inclui atividades relacionadas à engenharia diagnóstica, à reabilitação de edificações, ao planejamento urbano sustentável e à gestão de riscos de desastres, além da participação em projetos financiados por organismos internacionais.
A abordagem ampliou a discussão sobre a importância de avaliar as condições das edificações e desenvolver estratégias de intervenção que considerem as características das estruturas, seu histórico e o contexto em que estão inseridas. A perspectiva também destacou a relevância da adaptação dos edifícios e da preservação de seu desempenho ao longo do tempo, especialmente em cenários marcados por eventos naturais extremos.
Reportagem: Manoel Nóbrega (Crea-PB)
Edição: Beatriz Leal (Confea)
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Dbrothers e Sto Rei/Confea
Gestão de fotos: Paula Moreira (Confea)
