Para ressignificar o cuidado entre filhos, pais e a sociedade

 

Palestrantes Camila Antunes e Marlon Camargo: caminhos para atualizar as relações entre pais e filhos e suas profissões
Palestrantes Camila Antunes e Marlon Camargo: caminhos para atualizar as relações entre pais e filhos e suas profissões

 

Brasília, 11 de agosto de 2026.

Um bate-papo que valorizou a relação entre pais e filhos, pais e pais e pais e sociedade reuniu os colaboradores do Confea e ainda representantes dos Creas (que chegaram a 43 participantes na plataforma utilizada) no plenário do Confea na tarde desta terça-feira (11/8).  “Coloque os Filhos no Currículo: parentalidade com respeito, equidade e proteção” reuniu a bacharel em Direito e Pedagogia Camila Antunes e o engenheiro da computação Marlon Camargo, respectivamente, autora do livro homônimo e cofundadora da consultoria Filhos no Currículo e integrante da mesma.

Na abertura, a Gerente de Cultura Organizacional de Desenvolvimento de Pessoas do Confea, Fernanda Rocha da Fonseca Castro, tratou do enfrentamento da Violência contra a Mulher, na programação do Agosto Lilás, celebrando ainda a passagem pelos 20 anos da Lei Maria da Penha, na semana passada. “Em 2025, houve 1568 homicídios no país, maior número da série histórica. A violência doméstica e o assédio parecem dois mundos separados. Mas a resposta está na raiz. A desigualdade estrutural de gênero nasce do entendimento de que a mulher ocupa um papel subordinado. Onde há desigualdade de gênero há terreno fértil para o assédio. A parentalidade compartilhada é um ataque a essa raiz. Colocar o filho no currículo quer dizer que a responsabilidade não é só da mulher”, evidenciou. 

Parentalidade é o conjunto de atividades e responsabilidades usadas para garantir a sobrevivência, a proteção e o desenvolvimento de uma criança. Em conformidade com a abordagem, os palestrantes se revezaram para esclarecer as ideias, cativando boa parte dos participantes até as perguntas finais. Primeiro, Camila os instigou a responder quem os havia trazido até ali, convidando todos a traçar um plano juntos. Com Isabel, João e Tom “no currículo” filial, ela ressaltou que “estamos aqui porque alguém cuidou da gente”.  

O engenheiro da computação Marlon, pai de dois meninos, ampliou a reflexão do significado de ser pai. Cuidando do primeiro filho dos seis meses aos três anos e meio, ele considerou, inicialmente, que cuidar não deveria ser uma habilidade apenas masculina. “A parentalidade nos diz que o cuidado é uma habilidade humana. Nós homens temos autorização de cuidar da gente e do trabalho. As mulheres cuidam delas, cuidam dos filhos desde a primeira infância. A forma como a gente está construindo até hoje não é sustentável, não faz mais o menor sentido”.

 

Parte do público que acompanhou a palestra
Parte do público que acompanhou a palestra



Assédio, liderança, competências
De volta, Camila apontou que estava ali para disseminar que colocar os filhos no currículo nos ajuda com a prevenção do assédio. “Assim, vamos desenhar um plano para que todo mundo ganhe com um ambiente de respeito e de segurança onde a gente possa existir inteiro. A violência não acontece no fim. O mais próximo de liderar é parentar. Se você pensa que aquela pessoa que ficou grávida vai te dar trabalho, você a tratará como um problema”.

“Depois do diagnóstico, a gente precisa ser integral. Cada desafio que eu vivo traz oportunidades. A parentalidade ensina liderança com presença, inteligência emocional, criatividade e muito mais. Se você foca no desafio, deixa de ver a oportunidade que tem ali”, disse, considerando as competências desenvolvidas ao responsabilizar-se por outra pessoa. “A ideia é traduzir as vivências em competências, nomeando aquilo que já te pertence. Cuidar do outro é desenvolver competências. O filho não é problema, é valor, é competência”, acrescentou. 

Cuidando da sociedade
Camila apontou que o Brasil tem muitas pessoas com doenças psicológicas. “Estamos caminhando para um cenário muito ruim, de descomprometimento total. Temos que ocupar o nosso lugar intransferível, mesmo que isso traga indisponibilidade para outras pessoas, sem pedir desculpa o tempo todo. O cuidado é uma competência que todos nós vamos precisar desenvolver”, disse, convidando Marlon a retomar a palavra.

“Sempre que eu cuido, estou achando que estou fazendo mais do que eu deveria fazer.  A gente não traz isso para o trabalho. O cuidado não está na nossa educação, nem nas nossas conversas. Nós precisamos aprender a cuidar. Muitas das nossas violências surgem dessa nossa incapacidade de sermos cuidadores. Quando cuido de mim, cuido dos meus e trago esse olhar de cuidado para a sociedade”, afirmou. Associando o cuidado a uma habilidade, que, de forma padronizada, não costuma ser bem “o forte” dos homens, ele concluiu que cuidar dos filhos o fez mais empático a uma sociedade mais equânime.

Equipe de Comunicação do Confea