Infraestrutura inteligente integra engenharia, dados e cidades

Aracaju (SE), 15 de outubro de 2026. 

Palestra debateu caminhos para integrar gestão pública, infraestrutura e mobilidade, com foco em cidades mais eficientes, sustentáveis e inclusivas


Integrar engenharia, tecnologia, dados e planejamento urbano é fundamental para enfrentar os desafios das cidades e melhorar a qualidade de vida da população. Esse foi o eixo do painel “Infraestrutura Inteligente: Integrando Cidades, Tecnologia e Dados”, realizado nesta quinta-feira (15), durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), em Aracaju (SE). As apresentações abordaram o uso de plataformas digitais na gestão pública, o planejamento integrado das cidades e a construção de modelos de mobilidade mais sustentáveis e inclusivos.

O moderador do painel, conselheiro federal eng. de prod. Maycon Juan de Souza,  destacou a importância de transformar dados e conhecimento técnico em soluções para melhorar a vida das pessoas. Segundo ele, a discussão está alinhada à proposta do Confea, de utilizar informações para desenvolver alternativas voltadas às necessidades dos municípios: “defendendo que os profissionais ampliem sua atuação para além da esfera técnica e compreendam como seu conhecimento pode contribuir para cidades melhores.

 

Marco Evangelista


O especialista em estratégias de transformação digital e governança de dados para os setores público e corporativo, Marco Evangelista, defendeu a integração de sistemas e informações como caminho para modernizar a gestão pública. A proposta é superar estruturas fragmentadas e facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços, reduzindo a burocracia e tornando os processos mais ágeis. Para isso, o poder público pode estabelecer plataformas digitais compartilhadas que conectem órgãos, empresas e outros agentes na busca de soluções para problemas das cidades.

O especialista também ressaltou que a inteligência artificial pode acelerar essa transformação, mas depende de uma base consistente de dados e da integração entre sistemas. Como exemplo, apresentou o Pix, cuja infraestrutura criada permitiu que diferentes agentes desenvolvessem soluções e serviços. A ideia é que o Estado também estabeleça bases digitais compartilhadas para estimular a inovação, reduzir entraves e tornar os serviços públicos mais conectados e eficientes.

Cidades inteligentes exigem engenharia integrada

A diretora e professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), eng. eletric. Anna Helena Reali Costa, defendeu uma mudança na forma de planejar e projetar as cidades diante dos desafios do século XXI. Para ela, a cidade deve ser compreendida como um ecossistema complexo e integrado de engenharia, no qual infraestrutura física, tecnologia e dados atuem conjuntamente. 
 

Anna Helena Reali Costa


A palestrante apresentou a engenharia de sistemas e dados como caminho para prever cenários, modelar problemas e adaptar infraestruturas em tempo real. Entre os exemplos, citou a previsão de ressacas costeiras em Santos (SP) e iniciativas de construção sustentável, como a impressão 3D com concreto e soluções voltadas à captura de carbono. Ao concluir, ressaltou que cidades inteligentes dependem da integração entre planejamento urbano, dados confiáveis e engenharia. “A IA não veio para substituir o engenheiro, mas o engenheiro que utiliza a IA certamente substituirá aquele que insistir em projetar o futuro com as ferramentas do passado.”

Mobilidade sustentável centrada nas pessoas

O engenheiro eletricista Antonio Carlos Sá de Gusmão, da Universidade Federal Fluminense (UFF), destacou que a mobilidade urbana sustentável exige compreender os problemas de cada cidade antes de definir soluções. Segundo ele, o planejamento deve integrar transporte, uso do solo, espaços públicos e tecnologia, considerando as características do território e as necessidades da população. A transição para a mobilidade humana amplia o foco para além do deslocamento, priorizando acessibilidade, inclusão, segurança e qualidade de vida.

Antonio Carlos Sá de Gusmão


O palestrante ressaltou que cada cidade tem uma trajetória própria e precisa combinar planejamento, mobilidade ativa, energia limpa e soluções tecnológicas adequadas à sua realidade. Entre os resultados esperados estão maior eficiência e acessibilidade, redução dos impactos ambientais e melhor capacidade de adaptação. Ao sintetizar essa visão, destacou que “não existe cidade inteligente sem as pessoas”, reforçando que a tecnologia e o planejamento devem estar a serviço da população.
 

Reportagem: Adriano Comin (Crea-SC)
Edição: Fernanda Pimentel (Confea)
Equipe de Comunicação da 81ª Soea
Fotos: Sto Rei e DBrothers/Confea