Bacharel em Física, Gunter de Moura desmitifica o risco das usinas nucleares

Teresina (PI), 15 de agosto de 2014.

Gunter de Moura Anglerkorte falou sobre “Energia Eletronuclear” na tarde de 15 de agosto, dentro da programação da 71ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (Soea), realizada em Teresina (PI). 

Apesar de ter a sétima maior reserva de urânio do planeta, com reservas de 310 mil toneladas, uma produção ano de 400 toneladas e um tempo previsto para consumo de 775 anos, a CPM não prospecta o minério há cerca de nove anos e, segundo Gunter, isso ocorre “por falta de planejamento e recursos das próprias áreas responsáveis por isso”. 

Ele recorda que ainda nos anos 90, numa pesquisa da empresa Paranpanema, no Pará, foi encontrado molibdênio junto com o urânio, mas como o urânio é monopólio estatal, a empresa não pode prospectar.

“Desde então existem negociações com o governo. A situação é absurda porque isso permitiria que o Brasil dobrasse a produção de urânio”, disse o especialista.

Mostrando as vantagens econômicas do uso do urânio em relação a outros minérios, o palestrante deu conta de que, para uma usina funcionar durante um ano, precisa de 30 toneladas de extração do minério, contra 1.100 toneladas de gás, ou 1.800 toneladas de óleo, ou ainda 1.200 toneladas de carvão.

Sobre se a energia eletronuclear seria uma alternativa à atual matriz energética, Gunter defende que esse tipo de matriz energética seja somada à eólica, à hidrelétrica e às usinas a gás: “Não defendo o uso desta ou daquela matriz, mas de todas as que, somadas, possam atender à demanda da sociedade brasileira e que tende a crescer consideravelmente. Hoje somos mais organizados do que há 20 anos e daqui a mais 20 estaremos melhor ainda”.

Ao responder se o Brasil está se preparando para acrescentar esse tipo de fonte de energia no sistema de abastecimento da população, e sobre as tecnologias para isso, Gunter, que é bacharel em física e mestre em energia nuclear, afirmou que também falta “vontade política para isso”.

“Em nível de laboratório, nossas pesquisas estão concluídas, falta decisão política, além de US$ 50 milhões para passarmos para o nível industrial”. 

Mesmo diante das dificuldades e do país viver a reboque da tecnologia canadense, Gunter afirma que “o Brasil, bem ou mal, vem se desenvolvendo, não na velocidade que gostaríamos, mas vem se transformando e construindo sua tecnologia. Um exemplo é a Petrobras perfurando petróleo e gás em áreas de pré-sal”.

Maria Helena de Carvalho

Equipe de Comunicação do Confea